Os 10 melhores episódios de 2018

Tem televisão demais por aí.
Arte: Igor Frederico / @igor_boka

Em um ano que, como seus predecessores, segue a lógica exponencial de sempre aumentar o número de séries e episódios para se ver, e com o tempo cada vez diminuindo mais, consegui assistir à séries mais queridas e a algumas novidades que fiquei de olho. Porém, o saldo não foi dos melhores. Não consegui assistir ao retorno de uma queridinha do meu coração, The Marvelous Mrs. Masel, e não consegui concluir ou sequer assistir às novatas Forever, Homecoming e Lodge 49.

O que não foi de todo perdido, já que com as que eu consegui ver, ainda sim muitas ficaram de fora da lista. Por exemplo, a série documental Wild Wild Country conteve alguns dos episódios mais derrubadores de queixo do ano. Outra série que teve episódios inspiradíssimos foi Preacher, que não costuma levar muitos comentários, mas com o episódio The Coffin conseguiu atingir o nível de loucura que era tão característico do material original e daí pra frente só o que ocorreu foram episódios divertidos ao extremo.

The Deuce foi outra que conseguiu manter o nível de sua primeira temporada, e levantou mais discussões sociais sobre a questão sexual, de luta dos sexos e da violência institucionalizada. Atlanta, como era de se esperar, manteve sua inspiração e entregou um ano impecável, contendo mais de três dos meus episódios favoritos do ano. Mas decidi me conter e escolher apenas um episódio por série, então acabei deixando de fora momentos inspirados da série de Donald Glover, como FUBU que levanta discussões sobre educação, trauma e preconceito de uma forma pontual, ou o já clássico Teddy Perkins, que trouxe aquele surrealismo característico da série e o elevou ao patamar icônico da cultura pop.

Quanto ao que de fato entrou no top, me ater a um episódio por série dificultou a vida, já que It’s Always Sunny in Philadelphia teve o ano mais necessário da tevê em termos de discussões políticas, filosóficas e sociais. Discutiram a época da pós-verdade em um episódio incrível que de maneira prática (e surrealista) ilustrava o que ocorre quando as pessoas decidem mudar fatos pregressos e moldar a realidade em cima do que acreditam. Outro episódio fantástico foi o que a gangue discute as placas de banheiro que definem gênero e no fim chegam à conclusão que banheiros só servem para dejetos humanos e que gênero não interessa nesse caso. Doctor Who foi outra que seguiu o caminho pertinente de discutir os problemas do mundo contemporâneo de uma forma criativa, inteligente e educativa, mas pela regra de um por vez, acabei escolhendo um dos episódios mais comoventes da história da série.

As séries de terror decidiram todas se elevar ao status de arte séria e atingir meu coração de forma por vezes inesperada. The Haunting of Hill House foi a surpresa do ano. Um drama pertinente que, como os melhores clássicos do gênero, baseia o seu terror nos traumas reais de cada personagem, contendo em sua narrativa muita inventividade e classe por parte de seu criador/diretor. Já Channel Zero seguiu as referências de David Lynch durante seu melhor ano até aqui e teve momentos de arrepiar, mas de uma estética diferencial nesse universo.

E completando o top teve Demolidor com seu melhor – e aparentemente último – ano. Adventure Time também com seu fim, e que fim! Maniac, com sua narrativa inquieta e momentos divinos, Barry, com um ano inicial de derrubar qualquer um, e claro, Legion, com uma enxurrada de loucuras ainda maiores que seu primeiro ano, diversos episódios incríveis, mas, contendo um, em particular, que ficará comigo para sempre.

Sem mais delongas, aqui está a lista dos meus 10 episódios favoritos do ano de 2018. Espero que gostem, e se odiarem tudo bem, faz parte da vida discordar. E o melhor, se ficar curioso, vá atrás, um dos meus intuitos aqui foi escolher episódios que mesmo isolados conseguem passar um clima específico sem perder a compreensão total.

10. Come Along With Me, de Adventure Time (Cartoon Network)

Contendo uma batalha colossal narrada por BMO, o final da série não poderia ser mais satisfatório, trazendo momentos que remetem a Senhor dos Anéis em suas características épicas, mas sem perder o humor característicos da série. Após uma luta com praticamente todos os nossos personagens queridos, Adventure Time não poderia ter feito melhor, do que encerrar o ciclo com a música que encerra todos os episódios sendo cantada para Finn e Jake.

9. Revelations, de  Marvel’s Daredevil (Netflix)

Em uma série repleta de  referências diretas aos quadrinhos, o episódio que mais empolga nem chega a conter o maior plano sequência, como acontece em todos os anos. Nesse caso, foi o episódio do embate direto de Demolidor com um de seus maiores vilões, Bullseye. A luta é incrível, a referência é feita à melhor história do personagem de todos os tempos, A queda de Murdock, e com aquele ataque a Karen Page, quem é fã dos quadrinhos com certeza não conseguiu se tranquilizar até a chegada dos créditos.

8. Woods, de Atlanta (FX)

Em um ano inspirado, o momento que mais me marcou foi este, que cobriu o luto de uma forma intimista, visceral e sublime. A jornada de Paperboy pela floresta de amarguras e pesadelos é tocante, fantasmas o perseguem e nada consegue aliviar o vazio deixado pela morte de sua mãe. Seja pelo seu início emocionante – especialmente após uma segunda visita – ou pelo seu final niilista, a beleza aqui atinge níveis únicos, em um universo já distinto, nos fazendo sentir, sem que nem mesmo compreendamos o que ocorreu.

7. Loud, Fast, and Keep Going, de Barry (HBO)

O ápice da série está neste episódio. Apesar de o finale terminar com um momento angustiante e melancólico, é neste “Loud, Fast and Keep Going” que tudo o que foi construído alcança em uma explosão de emoções que culminam em cicatrizes profundas. Barry sai de um tiroteio inesperado para um confronto com um amigo que mudará a perspectiva que ele tem de si mesmo, e ainda tem que participar da apresentação teatral de sua amada, onde entrega apenas uma fala, que emociona tanto os presentes no teatro quanto a qualquer um que sentiu tudo o que ele sentiu até ali.

6. Two Storms, de The Haunting of Hill House (Netflix)

A metade exata da jornada da família Crain culmina em um triunfo técnico, no qual todo o episódio é contado por meio de planos sequências. Temos algo incrível como a transição do tempo presente para o passado sem corte algum! Porém, apesar da técnica ser o destaque do episódio, o drama e terror atingidos, justamente por meio dessa ausência de edição, causam arrepios e dores ainda maiores para quem inevitavelmente fica imerso no episódio.

5. Option C, de Maniac (Netflix)

Comentado com mais detalhes aqui, o finale de Maniac atinge muitas cordas no âmago do meu coração. Seja pela trilha sonora que toca a alma ou pela clara alusão ao melhor caminho: o de nunca desistir de viver e sempre batalhar por isso, não importa o que aconteça ou como te enxergam. É uma hora necessária de tevê, especialmente para os fãs de A primeira noite de um Homem.

4. Chapter 14, de Legion (FX)

Mais um episódio da lista que configura como lidamos com a morte de alguém querido. Em seu Capítulo 14, Legion nos mostra que a dor sempre será confrontada de maneiras diferentes por cada um de nós. Em uma série onde o protagonista é o ser mais poderoso do universo e acaba de perder a pessoa que mais importa para a sua vida, era de se esperar algo excelente por parte dos produtores. Mas nunca imaginei que seria exatamente o que foi: uma montanha russa de emoções, com mensagens importantes, narradas por meio dos fragmentos da mente de David, passando pela sua fuga, superação e aceitação da dor. Um dos episódios mais criativos e tocantes do ano.

3. Sacrifice Zone, de Channel Zero (SYFY)

Um espetáculo visual, o ápice de uma loucura, a explosão sangrenta do cosmos, a falta de compreensão humana perto do realmente divino. Com uma narrativa que nunca subestima seu espectador, o capítulo final da terceira temporada de Channel Zero consegue ser grotesco, absurdo, divertido e sublime. Os momentos finais, do cosmos sendo visto através do manto da divindade, são das imagens mais lindas da tevê. Tenho certeza que David Lynch se orgulharia se visse Channel Zero.

2. Rosa, de Doctor Who (BBC One)

Já em seu terceiro episódio, a nova versão do Doutor arrepia qualquer um. Passado na época de Rosa Parks, somos submersos ao mundo da personalidade histórica e vivenciamos suas lutas e problemas, somos convidados a entender como o racismo de fato funciona e como pequenos atos, por mais insignificantes que pareçam, se forem feitos pela causa certa, perdurarão para a eternidade afetando a todos. O triunfo do episódio é retirar qualquer forma de agência dos personagens, já que a História não pode ser mudada.Os personagens negros sofrem racismo e os brancos são obrigados a assistir, sentando nos bancos do ônibus destinados a eles e vivenciando a prisão de Rosa Parks literalmente ao lado inimigo que a causou. É emocionante, de arrepiar, e uma aula de História e Sociologia necessárias para os nossos tempos.

1. Mac Finds His Pride, de It’s Always Sunny in Philadelphia (FXX)

Em seu episódio final, a série criada por Rob McElhenney atinge o ápice da seriedade e também do que é ser arte. Ao longo do episódio, Mac, que saiu do armário recentemente, tenta lidar com sua sexualidade em relação às pessoas que ama, especialmente seu pai, que até então não sabe que ele é gay. Ao longo do episódio, nós acompanhamos Frank, o personagem mais velho e mente fechada do grupo, enquanto ele confronta Mac para que este lute contra seus medos e seja honesto com seu pai. Frank admite nunca entender o porquê ou como uma pessoa se torna gay, mas sabe que precisa ajudar o amigo. No final, ao som de uma das músicas mais belas de Sigur Rós, Mac se apresenta em um número de dança que, segundo ele, é a única maneira que tem para mostrar o que sente de fato dentro de si. Após a apresentação, Frank aplaude emocionado e diz finalmente entender. É o episódio do ano que mostra o porquê da existência de arte: nos ajudar a entender as diferenças do nosso planeta.

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