As 10 melhores séries de 2016 Provavelmente não foram as melhores. E também não foram 10.

toperson

Não.

É muita pretensão querer dizer qual a melhor série do ano. O máximo que posso fazer é admitir que não vi tudo – vi muito – e dizer qual é a minha melhor. Ainda é The Americans, uma série que consegue capturar a grandeza da Guerra Fria com as sutilezas de um pequeno drama familiar. Seu quarto ano foi o melhor, com a despedida de personagens queridos e uma importante adição para o time da família Jennings. O resto é História.

Emily Nussbaum, a crítica da The New Yorker que levou o Pulitzer em 2016, vem resistindo às exigências editoriais e de público dos top 10 de fim de ano há quatro anos. Se a mulher tem um f*cking Pulitzer e não consegue, eu me sinto okay não conseguindo também (mesmo assim, nós duas concordamos que a melhor fonte do ano é a Calibri, apesar de divergir no tamanho).

Não quer dizer que eu não tentei. Eu tentei, e foi um processo longo e exaustivo. Existe um documento do Bloco de Notas com 30 títulos desordenados (o número redondo foi coincidência), que depois viraram 23, que nunca viraram 10. Eu entendo porque gostamos do sistema decimal – eu sou Matemática – mas não tem nenhuma razão concreta e racional para que um top tenha só 10 coisas. Sofrendo bastante, finalmente cheguei em uma lista de 12 nomes que não continha nem Game of Thrones, nem Westworld, nem Stranger Things.

Eu estava menos incomodada por essas ausências do que pelo fato de que nada parecia certo no número 2. E é porque apesar de só ter um #1, eu tenho um monte de #2.

BoJack Horseman é #2, por causa de um episódio debaixo d’água e uma terceira temporada praticamente impecável. É uma série lotada de piadas que me faz chorar. Isso é reduzi-la a algumas palavras quando ela merece uma tese, um dos problemas de listas assim.

Então vem Atlanta, Better Things e Horace and Pete, trabalhos especialmente autorais que refletem não só a vida, mas o senso agudo de estilo e domínio do nosso tempo de algumas das mentes mais afiadas dessa geração da tevê. Em Atlanta tem um carro invisível e um Black Bieber, mas a estreia de Donald Glover no FX é antes de tudo um estudo cultural de raça, política e construção social. Companheira de Atlanta na quinta à noite, a Better Things de Pamela Adlon é o raro tipo de história sobre maternidade que não é brega, enquanto H&P é o olhar magistral de Louis C.K. sobre esse quase distópico 2016.

E se é sobre olhar, vamos olhar para 20 anos atrás, quando O.J. Simpson escapou da condenação por ter assassinado sua ex-mulher e o namorado dela. Ryan Murphy trouxe a história à tona na minissérie American Crime Story: The People v. O.J. Simpson, que além de apresentar o caso, basicamente pedia desculpas a Marcia Clark (Sarah Paulson, na impressionante performance que lhe rendeu o Emmy) em nome dos Estados Unidos. ACS vem acompanhada de O.J.: Made in America, um estudo documental da conjectura socioeconômica e midiática que levou ao resultado final do julgamento.

Falando em cadeia, tem Rectify, um drama criminal que vai para o interior do estado da Georgia, longe das progressistas Nova York ou Los Angeles, para seguir Daniel, que está redescobrindo que existe vida fora da prisão, depois de passar metade da sua em uma. É uma obra tão bonita que a maioria de suas tomadas podem virar fundo de tela do computador. Seu quarto ano foi o último, e talvez Rectify seja uma das (minhas) maiores séries de todos os tempos.

Ainda na categoria “crimes” está a novata Search Party, estrelando a não-novata-eterna-Maeby Alia Shawkat em uma história de mistério e romance que capta exatamente o clima de desencanto da geração do milênio.

Há muito a se dizer sobre os dois melhores programas de meia hora da HBO no momento, Veep e High Maintenance, um sobre a baixaria da alta sociedade política na Casa Branca e a outro sobre contar histórias especiais nos arranjos mais simples.

E não vamos esquecer de Fleabag, definitivamente um #2, uma obra prima em seis capítulos criada e estrelada pela incrível Phoebe Waller-Bridge sobre uma mulher que ama sexo mas se odeia. Fleabag é cruel com quem a assiste, mas todos deveriam fazê-lo.

Depois de brigar por horas para transformar sentimentos em números – é por isso que eu larguei a Matemática, mundo! –, resolvi olhar de novo para o “Resto”. Só nos Estados Unidos, 455 séries roteirizadas foram ao ar em 2016, um novo recorde. O que é o resto? Não as minhas 18. Voltei ao arquivo original com 30 séries e ainda tinha: American Crime, Documentary Now!, Transparent, Orange Is the New Black, Easy, Crazy Ex-Girlfriend, Togetherness (adeus!), You’re the Worst, Westworld, Game of Thrones (finalmente), Red Oaks, Animals, The Night Of, One Mississippi, Person of Interest (adeus!), The New Yorker Presents, The Tunnel e Better Call Saul.

É uma bela lista. Se você queria minha ajuda, eu já diminui de centenas para 30. O top 10 você pode sortear junto com o amigo secreto.

Só garanta o papelzinho de The Americans.

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Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.