Emmys: as 10 coisas mais incríveis das indicações não estão nas categorias principais Sabe 'Gay of Thrones'? Pois é, pode ganhar um Emmy.

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As indicações para os Emmys 2016 saíram ontem, e já deu tempo de comemorar a entrada de The Americans, chorar o esquecimento de The Leftovers e contar as infinitas chances de Game of Thrones. Mas passados os momentos de felicidade e raiva iniciais, é hora de mergulhar nas categorias que ninguém presta atenção para descobrir os fatos mais divertidos e bizarros da lista.

Basta uma olhada pelas 113 categorias para ver que tem prêmio para todo mundo, e não estão brincando quando dizem “todo mundo”. Vejamos.

Gay of Thrones conseguiu uma indicação

Se você nunca ouviu falar de Gay of Thrones, não fique com medo: não é uma paródia pornô de GoT. O programa, que foi indicado na categoria de curta de variedades, é um recap semanal da série apresentado por Jonathan Van Ness no canal Funny or Die. Se você não liga muito para Game of Thrones, é uma boa forma de se manter atualizado sobre os acontecimentos em Westeros, e se você já está atualizado, é uma ótima forma de transformar tanto sangue em fonte de pura diversão.

 

 A prova de que qualquer coisa (menos The Leftovers) pode ser indicada é que Vinyl foi

Vinyl é dona de uma das histórias mais tristes da televisão nos últimos tempos. Não a história contada na série, mas a história da série: criada por  Mick Jagger, Martin Scorsese e Terence Winter, o drama da HBO era aguardado como uma das grandes estreias do ano. Mas além de ter sido massacrada pelos críticos, a HBO “desrenovou” a série quatro meses depois de ter garantido uma segunda temporada. Mas bastaram os temíveis 10 episódios para que Vinyl entrasse na disputa por melhor crédito de abertura e melhor maquiagem. E os créditos talvez fossem a melhor coisa da série, então parabéns!

 

A HBO foi o único grande canal fechado a ser indicado menos vezes que em 2015

Não vamos tirar conclusões precipitadas do que isso significa, mas vamos: os números corroboram a ideia de que a HBO (Game of Thrones, Veep) está (ou esteve) passando por um momento, digamos, estranho com sua grade de programação. No ano passado, a emissora recebeu 126 indicações, das quais ganhou 43. Esse ano, foram “meras” 94, enquanto o principal concorrente, o FX (American Crime Story, Fargo), subiu de 38 para 56, o Showtime (Homeland) subiu de 18 para 22, o USA (Mr. Robot) subiu de nenhuma para 6, o AMC (Better Call Saul) continuou com 24 e, surpreendentemente, o A&E (Bates Motel) subiu de 2 para 12. A Netflix, outra grande concorrente da HBO, apesar de não ser um canal fechado, também melhorou seu número de 34 para 54, se firmando no cenário das premiações. Mesmo assim a HBO continua a recordista de indicações, então não pense em crise.

A batalha entre Julia Louis-Dreyfus e Allison Janney pode fazer História

Elas nem estão concorrendo à mesma categoria: desde que Veep entrou no ar, Julia Louis-Dreyfus foi indicada e ganhou todas as quatro vezes como melhor atriz de comédia. Mas ela também coleciona mais duas estatuetas: por Seinfeld e The New Adventures of Old Christine, o que faz de Louis-Dreyfus a segunda atriz trabalhando atualmente com mais vitórias. A primeira é Alison Janney, que concorre esse ano como coadjuvante pela comédia Mom e como atriz convidada por Master of Sex . Com um prêmio a mais que JLD, Janney levou uma vez por Masters of Sex, quatro vezes por The West Wing e duas vezes por Mom, também pelos dois anos que a série esteve no ar. Como os votantes do Emmy gostam de insistir em seus vencedores, se as duas levarem esse ano, Janney continua na frente de Louis-Dreyfus por uma – ou duas – vitórias (com 9 ela passará a recordista atual, Cloris Leachman, que tem 8). Mas se Janney sair de mãos vazias, teremos um empate com 7 estatuetas (porque JLD já ganhou com 99% de certeza), o que tornará Julia Louis-Dreyfus não só uma das duas atrizes trabalhando com mais Emmys, mas também a maior vencedora em anos seguidos, a maior vencedora pelo mesmo papel e a única atriz a ganhar todos seus (mais de 4) prêmios por comédias.

Também vai ter Adele vs. Beyoncé

Lemonade, que foi lançado na HBO como um álbum visual recebeu quatro indicações: por especial de variedades, design de produção para especial de variedades, edição para especial de variedades e direção de especial de variedades (no qual a própria rainha está concorrendo como diretora, ao lado de Khalil Joseph). Beyoncé também concorre pela apresentação do show de intervalo do Super Bowl, no qual apresentou Formation, como evento ao vivo. Já Adele vai brigar diretamente com Bey com seu show especial para NBC, Adele Live in New York City, nas categorias de direção e melhor especial. Fica melhor quando você percebe que Adele também está concorrendo contra ela mesma, porque o especial Carpool Karaoke Primetime Special, do The Late Late Show, também está na categoria de variedades, e Adele foi uma das passageiras que apareceram no programa.

É a primeira vez (e possivelmente única) que Hannibal é indicada

Hannibal foi completamente ignorada pelos Emmys em seus três anos de exibição, apesar de que a NBC errou feio no ano passado ao não colocar nenhum episódio da série no ar durante a janela de exibição considerada (isso significa que não era elegível em 2015). Então, tecnicamente, Hannibal poderia concorrer esse ano até como série de drama, mas não é surpresa que a Academia já tenha esquecido da pobrezinha, que transmitiu seu último episódio há quase um ano. No entanto, a série conseguiu uma indicação por efeitos especiais, mas como está contra The Walking Dead, é improvável que leve. Agora é torcer para que a chance de 50% que Bryan Fuller disse que a série tem de voltar se concretize, e quem sabe Hannibal possa ser lembrada de novo em dois ou três anos.

RuPaul finalmente foi reconhecido

Essa já entrou para a História. Depois de 8 temporadas e 109 episódios de RuPaul’s Drag Race, a diva drag queen foi indicado a melhor apresentador pelo reality. Já era hora!

Os Emmys premiam premiações, incluindo seu principal concorrente, os Globos de Ouro

Os Emmys são prêmios dados ao melhor da tevê (apesar de que a definição de tevê vem se esticando bastante atualmente). As premiações mais famosas da indústria da Arte geralmente são transmitidas na tevê ao vivo: isso inclui o próprio Emmy, os Oscars (ABC), os Globos de Ouro (NBC), os Grammys (CBS) e os Tonys (CBS). As emissoras submetem esses programas como especiais e frequentemente eles recebem reconhecimento. Esse ano, os Oscars, apresentado por Chris Rock, lideram as indicações (5). Na principal categoria, premiações e eventos especiais ao vivo, a cerimônia concorre contra o Globo de Ouro desse ano, apresentado por Ricky Gervais, e os Tonys, que premiou os melhores da Broadway. Pelo menos eles não tem a cara de pau de indicarem a si mesmos!

O melhor musical da tevê teve quatro indicações, mas mesmo assim foi ignorado

Crazy Ex-Girlfriend está concorrendo por: coreografia (contra realities de competições de dança), música original dos créditos de abertura (na qual tira sarro de si mesmo apontando que o termo “crazy ex-girlfriend” é sexista), edição de comédia e música original e letra pela maravilhosa Settle for Me. Mas considerando o calibre de suas composições (quase todas pela gênia do YouTube e protagonista, Rachel Bloom), e que é uma das poucas séries musicais no ar atualmente, e definitivamente a melhor, era de se esperar que Crazy Ex dominasse as categorias de música, e talvez conseguisse um aceno em série de comédia e atriz para Bloom. Parece que vamos ter que “settle” por essas quatro mesmo.

 

Aquele vídeo do Google que te fez chorar no fim de 2015 está concorrendo

Aposto que você nunca pensou nesses vídeos bonitinhos que o Google e o YouTube fazem para fechar o ano como comerciais, mas as empresas pensam, e é assim que elas conseguem um lugarzinho nos Emmys. A categoria de comerciais é particularmente uma pérola da premiação, porque os votantes não escolhem pelo apelo publicitário, mas pelos ares de cinema ou tevê que são dados a eles. Esse ano tem também a propaganda do chocolate Snickers que estreou no concorridíssimo intervalo do Super Bowl, e mostrava Willem Dafoe vestido como Marilyn Monroe.

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.