As 10 músicas mais legais já feitas sobre o Cinema Tem até 'I See Dead People', de 'O Sexto Sentido'.

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Os amantes do audiovisual sabem que não é de hoje que o cinema e a música dialogam entre si e costumam se dar muito bem, um exemplo são as trilhas sonoras dos filmes. Outro caminho, encontrado pelos compositores e intérpretes, é a declamação musicada das suas impressões sobre o cinema e a experiência pessoal com o universo dos filmes. Por isso, preparamos uma lista de 9 músicas (mais um bônus exótico) que vão fazer você, nobre leitor, imergir no mundo paralelo do cinema, segundo os artistas da música.

Ciné, Cinéma

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A evolução da paixão por alguém real alimentada pelas idas ao cinema é uma história comum a muita gente. Em Ciné, Cinéma acompanhamos as venturas e desventuras do eu-lírico nos encontros com sua Ângela no cinema. “Cinema, cinema/A gente estava tão bem/Colados, colados/A mão na mão/Dois jovens felizes”, diz um trecho da canção. A música é uma composição do letrista Claude Lemesle, da cantora Charlotte Grenat e do diretor de cinema Raymond Bernard feita para ser interpretada por outro célebre ator-cantor francês, Serge Reggiani.

 

Let’s go to the Movies

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O filme Annie (1982), musical da Broadway adaptado para as telonas, conta a história de uma menina órfã que acredita na volta dos seus pais e enquanto espera passa por bons e maus bocados em casas diferentes. Na época dos bons bocados, uma das cenas apresenta ao público a música Let’s go to the Movies, composta pelos premiados Charles Strouse e Martin Charnin. A letra exalta a magia de ir ao cinema para apreciar os filmes e outras delícias – comer pipoca, por exemplo. E como o filme foi feito especialmente para as crianças, o verso que diz “apenas finais felizes” passa como licença poética.

 

At the Movies

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At the Movies foi lançada como parte de um álbum novo de novas músicas do velho Neil Diamond. O álbum referido é o Three Chord Opera de 2001, que não é um dos mais famosos do cantor e compositor. At the Movies é uma ode ao cinema “hollywoodiano” com as suas temáticas que passam pelo romance, a aventura e o mistério.

 

Cinema Mudo

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O cinema mudo de Herbert Viana, vocalista e guitarrista de Os Paralamas do Sucesso, diz respeito a um amante que não encontra palavras para falar de amor. Como nos antigos cinemas, a plateia (pessoa amada) entende a história apenas pelas mímicas e efeitos sonoros esporádicos. A música intitula o álbum de estreia da banda, lançado em 1983. Desde então Herbert e companhia aprenderam muito bem a dizer o que tinham pra dizer, quem sabe foi “num desses seriados de TV”.

 

Ela faz Cinema

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Em Ela faz Cinema Chico Buarque não está dedicando uma de suas canções para uma cineasta, mas ele fala de uma mulher que sabe usar bem as suas habilidades de atriz no relacionamento amoroso retratado por ele. “Ela faz cinema/Ela faz cinema/Ela é a tal/Sei que ela pode ser mil/Mas não existe outra igual”, diz um dos trechos da música indicada ao Grammy Latino em 2006.

 

Ce n’est pas toujours drôle, le cinéma

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Ce n’est pas toujours drôle, le cinéma é uma canção francesa dos anos 50 composta pelo ator-cantor-compositor-escritor-embaixador Charles Aznavour em parceria com o compositor americano Jeff Davis. No entanto, ela é popular na voz de Eddie Constantine, à despeito do sotaque americano (voluntariamente destacado) do cantor e ator, que posteriormente se naturalizou francês. Eddie se considerava mais cantor do que ator, mas a sua carreira no cinema era financeiramente mais próspera. Quando ele interpretava a música, cujo um dos trechos diz “O cinema não é sempre divertido/Pois te forçam a fazer não importa o quê/Sorrir quando está com dor de dente/Chorar ou fazer um ar malvado/Fumar quando não gosta de tabaco/Esvaziar doze whiskies gole após gole/E correr sem parecer bêbado”, talvez fosse uma reclamação sincera travestida de atuação.

Ouvir Ce n’est pas toujours drôle, le cinéma no Musicme

 

Flagra

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Flagra é uma dentre as muitas parcerias da rainha e diva-mor do rock brasileiro, Rita Lee e seu companheiro de vida Roberto de Carvalho. A música que foi lançada em 1982 no álbum Rita Lee e Roberto de Carvalho, é uma caixinha de referências. Há uma abordagem aos hábitos comuns dos antigos frequentadores das salas de cinema e trocadilhos com nomes de atores famosos da primeira metade do século passado. Sim, Débora Kerr, Gregory Peck, Mae West e “Sheik” Valentino são reais. Mas a moral da história é: aproveite o filme e cuidado com o flagra!

 

O Amor é Filme

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O Amor é Filme é a incomparável música composta para ser executada durante os créditos do filme Lisbela e o Prisioneiro (2003). Os responsáveis pela obra são André Moraes e João Falcão que compuseram a trilha sonora do filme. O intérprete que deu vida aos versos foi Lirinha, que na época era vocalista da banda Cordel do Fogo Encantado. Uma das estrofes diz: “Um belo dia a gente acorda e hum/Um filme passou por a gente/e parece que já se anunciou/o episódio dois/É quando a gente sente o amor se abuletar na gente/ tudo acabou bem/Agora o que vem depois”.

 

Por que Você Faz Cinema?

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Em 1987, o jornal francês Libération fez a seguinte pergunta, que foi respondida por 700 cineastas do mundo inteiro: Pour quoi filmez vous? (Por que você faz cinema?). Então Joaquim Pedro de Andrade respondeu com um poema que enumera algumas das razões pelas quais ele se dedicava ao cinema. Os versos finais dizem “Para insultar os arrogantes e poderosos, quando ficam como cachorros dentro d’água no escuro do cinema/Para ser lesado em meus direitos autorais.”. Alguns anos depois, Adriana Calcanhotto metamorfoseou o poema em canção e a inseriu em seu álbum gracioso A Fábrica do Poema, lançado em 1994.

 

Bônus Exótico: I see Dead People

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Sabe quando você ouve uma música que de tão inesperada ela alcança o status de boa? E então você decide ouvir uma versão em outro ritmo e ela fica melhor ainda? Não sei se é uma boa apresentação para I See Dead People da banda argentina Lache, mas vale à pena conferir, nem que seja para discordar. A música não fala exatamente de cinema, ela é livremente inspirada na célebre frase do menino Cole de O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999) – “Eu vejo gente morta”.

Quem escreveu

Joamila Brito
Gosta de histórias fantásticas e ficção científica bem humorada. Assiste terror com moderação, pois nunca se sabe quando os fantasmas resolvem aparecer. E troca qualquer blockbuster por um filme gravado no interior do Brasil.