Review: ‘Preacher’ desacelera, mas mantém o visual brilhante e o humor ácido 'The Possibilities' faz Jesse explorar as possibilidades outra vez, mas e a diversão?

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Na semana passada: Preacher não tem intenção de diminuir a loucura – e tudo bem (acabou que tinha).

Comentários sobre Preacher porque eu gosto de Justin Bieber…

Mesmo com algumas das histórias começando a fazer sentido no terceiro episódio de Preacher, The Possibilities, a série ainda parece muito preocupada em estabelecer os personagens principais, fazendo eles se explicarem de novo e de novo desde o piloto. Ainda assim, o episódio se sustenta no que está tornando Preacher fascinante para mim, seu visual e humor.

Na introdução, que dessa vez é um pouco mais interligada com a trama principal, somos apresentados a dois personagens novos, Danni e o Homem Misterioso de Terno Branco. Apesar da cena dar um pouco mais de personalidade a Tulip (e Ruth Negga faz maravilhas com o pouco que é dada), ainda fiquei um pouquinho decepcionada por tudo fazer sentido tão rápido no episódio. Claro, o Homen Misterioso ainda é um homem misterioso, mas se Jesse não vai finalmente ceder aos pedidos da ex-namorada, a revelação de que ela é motivada pela busca de vingança contra Carlos, que traiu Jesse e Tulip em alguma missão, não funciona com a intensidade que deveria (e o modo como isso é revelado funciona menos ainda porque os flashbacks não trazem nenhuma informação nova a não serpenteados diferentes para os protagonistas).

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Talvez o fato de que Preacher já está no ar há três semanas distorça um pouco a noção de tempo na série, já que só se passaram alguns dias desde que Jesse descobriu seu poder, o que significa que faz sentido que ele ainda esteja descobrindo os limites do que é capaz de fazer. Em The Possibilities, Jesse finalmente parece entender que seus pedidos são atendidos de forma literal, de forma que quando ele preside o funeral do cara que “abriu seu coração” para a mãe, existe uma camada de culpa que torna sua leitura mais interessante.

Esse choque vem com um pouco de medo de assumir esse papel de deus onisciente, e talvez seja por isso que ele não volte na casa da garota em coma para mandar ela acordar, em vez de só abrir os olhos, ou porque não força Donnie a parar de incomodar todo mundo, em vez de só dizer para que ele solte a arma. A cena do banheiro com Donnie, lindamente filmada com uma lente olho de peixe e em contraste tonal com o “lá fora”, explicita bem que Jesse não é mais o cara que Tulip descreve e que ela quer que ele seja, fazendo ele desistir de ir atrás de Carlos. Mas se o negócio de Jesse vai ser brincar com a cabeça dos caras maus, talvez Carlos se enquadre nessa descrição em algum momento, pelo menos o suficiente para tomar um susto.

Ao testar o poder, Jesse leva Cassidy a admitir que gosta de Justin Bieber e que não faz ideia de quem seja o governador do Texas em uma cena hilária, que no entanto tem um final cruel, quando Jesse explica que ter “todas as criaturas de deus em um liquidificador” no intestino não é o melhor sentimento do mundo. E enquanto percebemos o poder de destruição da Coisa que entrou em Jesse, os dois anjos enviados do paraíso para prendê-lo de volta em uma lata de café começam a parecer mais simpáticos. Não é só que eles tiram um minuto, bem pacientes, para explicar como é inútil que Cassidy continue os matando – e o que o vampiro faz com a van depois que eles acabaram de se armar até os dentes é um ponto alto do episódio –, mas que eles aceitam negociar a rendição de Jesse porque 1) é o trabalho deles e 2) sério, aquele troço merece viver em uma lata de café!

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The Possibilities não explora muito as possibilidades além do que já tinha sido feito nos primeiros episódios, e caminha com uma coerência que o separa dos outros dois, mas, estilisticamente, segue um padrão que a série está sabendo usar a seu favor. No entanto, eu espero que Preacher não seja mais uma série com um visual excepcional que não consegue manter o tom na narrativa. Devolvam a loucura!

Notas:

– Finalmente temos uma abertura, e ela é tão misteriosa quanto as cold open dos últimos episódios. Algumas imagens, como a da cocaína ou da mulher catatônica, ainda não fazem sentido e aguçaram minha curiosidade. E ainda bem que eles mantiveram as letras vazadas.

– Aquela história que o xerife conta sobre o vendedor pretzels é pitoresca, e bem eficiente para mostrar sua visão de mundo: “Esse mundo…

– Seth Rogen e Evan Goldberg vão ser processados por transmitir o funeral de Tom Cruise antes da hora (risos).

– Simpatizei com Donnie tentando explicar para o filho sobre masoquismo. Conversa complicada.

E vocês, o que acharam? Comentem ali embaixo!

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Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.