Review: ‘Person of Interest’ prepara um series finale emocional com a destruição de seu maior vilão

'.exe' fecha alguns dos principais arcos da série ao colocar Finch em Modo Deus.

Críticas anteriores: 5.1 | 5.2 | 5.3 | 5.4 | 5.5 | 5.6 | 5.7 | 5.8 | 5.9 | 5.10 | 5.11

Comentários sobre Person of Interest de ontem à noite porque derrubar a internet? Been there, done that…

Se alguma vez durante esses cinco anos de Person of Interest você imaginou como seria o mundo sem a Máquina, .exe nos dá alguma ideia, e – surpresa! – não é lá muito bom para os nossos heróis. Mas o importante é que para a humanidade em geral, não seria melhor nem pior, só diferente, como Finch percebe no fim. A Samaritan existiria de qualquer forma e não teria ninguém (que ficamos sabemos) lutando contra ela, mas todo o resto continuaria a viver na ilusão da democracia, na ignorância, que não pode ser pior do que uma verdadeira guerra à céu aberto.

Root e Shaw virariam agentes do mau, ou simplesmente “do governo”, mas elas nunca se conheceriam (e francamente, quem ia se importar com elas caso fossem um casal de assassinas da Samaritan?). Um monte de gente teria vivido – Carter, Nathan, e mais alguns que eu não conheço – mas em compensação, Reese teria se matado e Fusco não teria se tornado um cara legal, e o grande Finch seria eternamente atormentado por sua mediocridade. A realidade alternativa sem a Máquina é uma espécie de toma lá, dá cá, e não seria justo que Finch tomasse qualquer decisão baseado nas vidas individuais das pessoas próximas a ele, já que ele diz que o importante é que a humanidade trace seu próprio caminho, nem que seja a destruição.

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Foi um pouco estranho ter Fusco deslocado da ação principal, ainda mais agora que ele sabe de toda a verdade, mas o detetive também não se encaixaria direito na batalha militar que tomou o palco no prédio da NSA. Seu arco solitário resolveu outra questão, sobre quem era o agente da Samaritan responsável pelos assassinatos dados como suicídio no túnel (e é um cara que foi apresentado no piloto? Bem redondinho esse fim). No entanto, o pequeno discurso de Fusco ao apontar a arma para o cara, e o pequeno cliffhanger que veio com ele, foram desnecessários, já que seria totalmente estúpido deixar o agente vivo. Vimos o suficiente de Fusco para acreditar que ele se redimiu do seu passado de corrupção, e esse velho clichê de “sou melhor que você” não se aplica bem a situação em que chegamos.

Os momentos finais de Greer foram bem emocionantes, e dignos do vilão que ele era – morreu acreditando fielmente na Samaritan –, ainda que a configuração da sala tenha sido meio Deus ex machina. Quer dizer, nenhum dos agentes ficaria do lado de fora esperando tudo terminar como o esperado? Ninguém pensaria em levar o celular de Finch para… o lixo? Greer não ia preferir um sistema que tivesse 100% de chance de matar Finch? Felizmente, o diálogo dos dois compensa esses “detalhes”, todo a metáfora da Arca de Noé (Machine + Samaritan = own <3) e a discussão sobre o nível de comprometimento das Inteligências Artificiais com a vida humana nos lembram que essa não é uma guerra propriamente entre IA’s, mas entre homens com diferentes visões de mundo. Greer sempre foi um utilitarista, um verdadeiro crente de que vidas seriam sacrificadas pelo “bem maior”, e que elas são um preço justo a pagar, enquanto Finch tende a dar o mesmo valor a todos.

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Se podemos dizer que alguma coisa em .exe foi divertida, foi ver Reese e Shaw invadindo a NSA para dar cobertura a Finch, apesar de que, de novo, seus simples métodos funcionem bem até demais. As cenas em que os dois olham para os telefones tocarem, na rua, e depois no metrô, me fizeram acreditar que eles confiam na Máquina para proteger Finch, mesmo quando eles não podem. Para adicionar uma camada a mais de emoção, eu queria que a Máquina usasse a voz da Root para falar com Reese (ele teria reagido diferente se ela tivesse usado) e que finalmente Shaw atendesse o telefone para descobrir a nova “forma” de Root, mas tudo bem se guardarem esses grandes momentos para o finale da semana que vem. Com a Samaritan destruída (e possivelmente a Máquina), vão sobrar humanos tentando entender suas conexões humanas. Ou seja: estejam preparados para um banho de lágrimas, porque o banho de sangue já foi.

Notas:

– Se esse foi também a despedida da Máquina, sua última troca de palavras com Finch foi fraca. Mas o monólogo da première – sempre ele – indica que ainda não acabou. Mas nesse caso, o código de autodefesa que Root escreveu a tornou tão poderosa que ela seria capaz de parar o vírus Ice-9 de quebrá-la? Mistério.

– Esse episódio claramente sofreu da falta de tempo da temporada para crescer as tramas até o clímax, já que tudo acontece rápido demais. Ou talvez se a série não tivesse gasto tanto tempo com casos da semana nesses últimos 12 episódios, os momentos de .exe poderiam ter sido mais épicos.

– Toque legal o modem que Reese e Shaw encontram na sala de evidências pertencer a Edward Snowden.

– “Estávamos só procurando por alguns caras maus. Olha só, encontramos um”.

– Para os não viciados por easter eggs que ainda não sabem o significado da senha do vírus: Elinor Dashwood é o nome da protagonista em Razão e Sensibilidade, romance de Jane Austen que Finch usou para pedir Grace em casamento (e que Shaw aparece folheando no metrô).

– Alguém já desvendou o significado do número do túmulo hipotético de Reese?

O que vocês acharam desse episódio? Comentem ali embaixo!

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