Review: ‘Preacher’ não tem intenção de diminuir a loucura – e tudo bem Jesse descobre seu poder em 'See' enquanto Cassidy não dá trégua para os inimigos do pastor.

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Comentários sobre Preacher de ontem à noite porque eu nunca vi o Oceano Pacífico e eu acho que O Grande Lebowski é superestimado…

Todo o meu respeito para uma série que se passa nos dias atuais mas abre o segundo episódio com uma sequência passada em 1881 que, apesar de lindamente fotografada, não se conecta com nada. Como eu disse na crítica do piloto, eu não li os quadrinhos de Preacher, mas já sei que a cena faz mais sentido para quem leu. Mas mesmo assim, considerando que esse é um programa de tevê com uma audiência muito mais abrangente do que a obra original, a escolha feita em See ainda me parece ousada e totalmente confiante. Nesses dois primeiros episódios, Preacher está tão divertida que não é muito pedir que o público espere pacientemente pelo momento no qual as coisas vão se encaixar na trama principal (só não pode demorar demais).

Essa não é a única parte solta no episódio. Ainda não está muito clara a divisão entre mocinhos e bandidos da série, mas obviamente qualquer um que se envolver com o estúpido Donnie está sendo construído como vilão. Jackie Earle Haley (de Watchman, outro quadrinho que era dito “inadaptável”) interpreta o chefão da Q.M.&P., que é visto convencendo um casal a vender sua casa e enfiando uma escavadeira pela sala de estar assim que eles colocam os pés para fora dela. Tulip humilhando os funcionários da empresa no poker é a única ligação estabelecida até agora com os personagens principais, mas é o suficiente para criar curiosidade sobre o papel importante que eles terão.

A história não fica muito mais intuitiva só porque os rostos envolvidos são conhecidos. A série decide pelo absolutamente lunático quando revemos os dois enviados por não sei quem para seguir a Força Misteriosa do Espaço que apareceram na última cena do primeiro episódio. O ritual de exorcismo (será?) envolvendo uma lata vazia de café e uma canção de uma caixinha de música antiga torna os personagens bem intrigantes, mas nada supera os trabalhos de Cassidy.

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A sequência da briga é tão perfeitamente coreografada e a violência tão esteticamente agradável que deixamos de perceber o quão horrível ela é. Já é incrível que tudo se passe em um lugar sagrado onde a arma principal são as bíblias, mas a dança com a motosserra leva tudo para outro nível. Se podemos terminar uma cena com um braço preso a uma serra elétrica indo em direção a cabeça do protagonista, isso não é só digno de aplausos, mas dá um novo significado ao gênero do terrir.

Talvez o único problema é que Jesse não esteja presente em toda essa ação. Ele está sendo tentado por Tulip e Cassidy e com certeza não resistirá muito mais, mas suas missões pastorais chatas – que é o pior que alguém pode ser – são os momentos em que a narrativa perde o ritmo da insanidade e a série ainda não encontrou o tom perfeito para fazer o contraste relevante. O pastor ainda está aprendendo a extensão de seu recém descoberto poder, mas usá-lo para curar um pedófilo e fazer uma menina com o crânio amassado voltar do coma faz de Jesse o personagem menos interessante do grupo. Entretanto, é notável que mesmo nesses episódios a série consiga fortalecer sua elegância visual, fazendo um paralelo entre o batismo do início e a banheira de água quente na casa de Linus e repetindo a imagem do salvador de costas para a luz da sequência de 1881 com Jesse e a garota em coma (e que se repete novamente com Cassidy vendo o dia nascer).

See tem uma cota generosa de momentos “WTF?”, particularmente os dois capangas aparecendo vivos e inteiros em uma conversa com o xerife Root depois de terem sido feito picadinho por Cassidy. Embora nenhuma história possa sobreviver apenas fazendo perguntas sem oferecer respostas, até agora Preacher está indo muito bem, obrigada. A série tem um monte de outras coisas interessantes para nos manter fiéis até sentirmos a necessidade de explicações. Claro que a jornada do pastor importa, mas eu estou mais que satisfeita de embarcar sem saber o destino, fazendo paradas no caminho para instantes de pura loucura.

Notas:

– Quando o xerife e Eugene estão indo embora do batismo, alguém o chama de assassino. Hmm…

– “Enquanto isso, obrigada por me deixar toda molhada” – é curioso como Tulip claramente não é uma femme fatale que só quer usar Jesse, mas ela ainda age totalmente como uma. É um twist diferente em um dos maiores clichês do cinema.

– Um easter egg engraçadinho: o motel tem HBO, mas não AMC.

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O que vocês acharam de See? Comentem ali embaixo!

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.