Review: Paige é a pessoa mais poderosa de ‘The Americans’ no momento 'A Roy Rogers in Franconia' põe mais fogo na fogueira para um final desastroso.

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Comentários sobre The Americans de ontem à noite porque você acabou de matar um homem na minha frente e não faz mal eu saber de tudo…

The Americans tem um jeito especial de lidar com cliffhangers. Os episódios sempre terminam no instante anterior do que seria um verdadeiro, melodramático, hiperbólico final. Lógico e emocional. A Roy Rogers in Franconia configura todos desastres para o season finale da próxima semana, mas nos deixa com um sarcástico “Ótimo” vindo de Paige, uma conclusão monótona, ainda que perspicaz, se consideramos o que a pequena desobediência representa para mini espiã.

Boa parte do episódio é dedicada à reação de Paige aos acontecimentos de Dinner for Seven, quando a garota testemunhou o assassinato de um dos bandidos que tentaram assaltá-la (um assalto que virou uma tentativa de estupro). As perguntas e respostas que sucedem o susto de Paige ao ver a mãe naquela posição dizem tanto sobre Elizabeth para Paige quanto para nós. Quando Elizabeth confessa que já matou antes, tantas vezes que “não sei”, imediatamente após o choque da informação vem uma pequena lembrança de que Paige é praticamente uma criança, apesar do seu envolvimento enorme na situação. Perguntar se a mãe estava assustada é o cúmulo do conflito entre acreditar que seus pais são assassinos por uma necessidade ou assassinos e só.

Mas a pergunta que fica e que ainda não foi respondida completamente é “Você precisava fazer aquilo?”. A resposta para nós é “não”: Elizabeth poderia ter desarmado o sujeito e o deixado desacordado, mas mesmo se Paige acredita no “sim” e até o compreende, é a própria Elizabeth quem não consegue tirar a pergunta da cabeça. Depois de ter passado bastante tempo sendo praticamente um robô no que se referia às missões, Elizabeth se permitiu sentir algo durante o plano (super fracassado) com Young Hee e Don, e isso vem com o custo de reavaliar as vezes que agiu de forma mecânica, o assalto sendo claramente uma delas.

E Paige também tem uma nova perspective sobre o precisar. Ela precisou agir como espiã involuntariamente com Pastor Tim e Alice, mas tratar Matthew como um ativo foi uma escolha, não uma necessidade. Parabéns, Paige, você acabou de se formar no curso para pequenos espiões da KGB e beijou um garoto no mesmo dia! Mesmo com tudo o que sabe, o senso de não pertencimento é tão grande que ela ainda reclama para Matthew que os pais a tratam como se tivesse 12 anos, e exige que eles dividam informações sobre missões ultra secretas com ela.

Esse é um grande passo para Paige, e talvez se mostre maior do que a perna se ela se der conta em um momento próximo que fez perguntas para quais na verdade não queria saber a resposta. Mas por enquanto, foi bem sugestivo que ela se sentisse mais próxima de Elizabeth depois que a mãe contou de sua infância na Rússia. Agora Paige sabe que tanto Philip como Elizabeth tiveram infâncias bem diferentes da que ela está tendo, tendo que lidar com a pobreza, a guerra e a destruição, e a menina é generosa demais para não apreciar a preocupação de seus pais em protegê-la. E de quebra, Paige arrumou uma companheira para ver novela, o que trás um dos únicos momentos de leveza do episódio: “Eu só estou tentando entender”. É, Elizabeth, nós também.

Coisas a mais:

– A traição de Oleg veio como uma surpresa para mim, mas seu descontentamento com a Pátria-Mãe foi cuidadosamente construído durante toda a temporada. Eu só não esperava que o discurso de Stan na semana passada fosse funcionar tão bem como psicologia reversa.

– Por falar em Stan, ele está chegando perto demais e se tornando super mega ultra perigoso nível arma biológica. Ele vai morrer? Não. Mas Philip vai precisar ser engenhoso para escapar da armadilha que o FBI montou para William e isso põe sua (verdadeira, acredito) amizade com Stan em risco mais uma vez.

– Gabriel é um manipulador filho da mãe. Ou simplesmente um agente muito bom de serviço. De qualquer forma, William já devia saber que “uma última missão” é código para “morte” ou “muitas outras missões”. Como o FBI sabe da identidade dele, aposto em morte.

– Tudo pronto para um final de temporada magnífico. Esse é o 12º episódio seguido de The Americans para o qual eu dou nota 10. É um recorde.

– Se você está se perguntando sobre o título misterioso: é o nome do restaurante no qual o zelador do FBI foi coagido a trocar as fitas do Mail Robot.

– Se Keri Russel for esnobada outra vez pelo Emmy: “Ótimo”

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Também tem coisa minha lá no Séries do Momento. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.