Review: ‘Person of Interest’ reúne o Time Máquina rumo ao final da série 'Sotto Voce' lida com um outro vilão que não a Samaritan.

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Críticas anteriores: 5.1 5.2 | 5.3 | 5.4 | 5.5 | 5.6 | 5.7 | 5.8

Comentários sobre Person of Interest de ontem à noite porque ele é como a gente, exceto pela permissão para arrombar fechaduras…

Vamos ser bem honestos: se não fosse pela egomania do vilão The Voice, Sotto Voce não teria acontecido. Provavelmente havia um milhão de maneiras de matar o alvo principal, o ex-assassino de aluguel Amir, antes dele ser preso, evitando toda a tragédia que se seguiu. Mas o que esperar de alguém que explode pessoas por prazer?

Não é difícil traçar um paralelo entre The Voice e outro personagem de Jonathan Nolan, o Coringa de O Cavaleiro das Trevas: o jogo de gato e rato feito na delegacia é o que torna o episódio emocionante, um quebra cabeça no qual as peças se encaixam aos poucos, e cada vez mais revelam a imagem de um psicopata orgulhoso, que no fim foi descuidado.

O mais interessante e irônico de Sotto Voce é que é em um episódio sem Samaritan que o Time Máquina termina de se unir (ou reunir). Enquanto a delegacia parece um lugar relativamente seguro em termos do computador do mal, o plano maquiavélico de explodir tudo do The Voice faz com que o perigo chegue perto demais. Para retribuir o tiro que Fusco leva para salvar a vida dele, Reese resolve abrir o jogo com o detetive, em um momento empolgante, ainda que um pouco piegas (com direito à trilha sonora romântica e tudo). Estamos a quatro episódios do final da série, já estava na hora.

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A preocupação em pegar o vilão também coloca Finch no caminho de Elias, que têm métodos muito menos conservadores. Como Elias diz ao final, é lógico que Finch sabia que ia terminar daquela forma, ele só não tinha coragem de fazer por si mesmo. A sutileza desses pequenos sustos que Sotto Voce dá no público é a magia de um bom roteiro. No início, quando Terry Easton ainda não revelou ser mais do que Terry Easton, ele solta a bomba com facilidade depois de um simples diálogo com Reese. Possivelmente Reese poderia ter desconfiado do sucesso da operação, mas em vez disso, ele deixa Terry solto na sala de interrogatório, quando na verdade ele era um assassino – tinha matado o segurança da empresa –, por acreditar que o chaveiro estava sendo vítima de um plano maior. Uma algema teria impedido boa parte do que veio depois, mas o fato de que Person of Interest esteja constantemente deixando seus personagens cometerem erros fortalece a ideia de que essa é uma guerra de humanos vs. computadores, mais do que Máquina vs. Samaritan.

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Finalmente, o episódio traz Shaw ao reencontro da equipe, em uma trama que é esperta em fazer conexões com os episódios passados. Em Reassortment, tinha ficado claro que Shaw estava fisicamente muito saudável, mas que a Samaritan tinha sucedido em avacalhar com sua percepção da realidade. Em Sotto Voce, não é que ela duvida do mundo real, mas ela duvida de si mesmo no mundo real. De fato, a “lembrança” de ter matado Reese nas simulações a assombra do lado de fora, levando-a a decisão de se manter longe do Time. A reunião com Root se dá num contexto super parecido com aquela última cena no parquinho de 6741. Essa é a primeira vez que o jogo fica 1×0 (0 para a Samaritan, 1 para qualquer um que está contra a Samaritan), porque Root faz uma escolha que não pode ser prevista em nenhuma das 7000 vezes que Shaw viveu esse acontecimento em sua cabeça, o que a força a considerar a hipótese de que talvez a Samaritan não seja tão esperta afinal.

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A última cena é o momento mais agradável que Person of Interest entregou na temporada. Certamente é mais para cima do que imagem de Root, Reese e Finch no casamento de A More Perfect Union, a qual sugeria um último instante de leveza antes das coisas escalarem. Mas ao som de Fake Empire, do The National, ver o Time Máquina completo, ao vivo e a cores, e à luz do dia ainda por cima, passa uma impressão de segurança que ainda não tínhamos experimentado. O final fecha redondinho com o início de Sotto Voce, duas cenas que investem em uma fotografia quase incompatível com o tom escuro e contido da série. Shaw começa andando sozinha no deserto mexicano, mas termina em boa companhia, em casa. Talvez esse sim, seja o último minuto de claridade que essas pessoas viverão, mas pelo menos foi magnífico.

*Uma versão anterior desse artigo afirmava que Sotto Voce era o centésimo episódio da série, mas na verdade é o 99º. Quase lá!

E vocês, o que acharam desse episódio? Comente ali embaixo!

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.
  • Stephen Holder

    Poh…nem vou comentar tanto, iria ficar uma review extra.Reese e Fusco demais. Finch e Elias time sem igual. As cenas na delegacia foram muito bem elaboradas.The Voice, que coisa, mais um caso finalizado. Reforço o comentário do Duda, POI não decepciona nunca (mesmo agora depois de ter visto o 5×10). E a cena final foi perfeita. Aquela ponte, foi lá que Reese se encontrou com Finch. Ver a turma reunida ali foi bonito. Espero que termine logo, sério….não tenho nervos de aço!

    • Duda

      Stephen, que me desculpem os shippers, mas foi o melhor episódio da vida! POI sempre foi distópica, meu povo, todo mundo sabe que tudo gira em torno de um mundo cruel e difícil e que tudo só piorava com o avançar das seasons. 9.9 no IMDB, não vai fazer 10 a gente sabe porque. POI não decepciona nunca, nem mesmo no episódio mais doloroso de todos! E Michael Emerson mito, que ator foda!

      • Stephen Holder

        Fala do E10? Se for, eu ainda estou em estado de choque! Foi sensacional, superou tudo que eu imaginei. Agora tudo faz sentido. Acho que cada frase nesse episódio tinha um significado válido para entendermos o que vem pela frente. Vou me segurar para comentar na review!

        • Duda

          Sim, o episódio 10, cara, que coisa fantástica! Também tô chocado, mas olha, que episódio, que episódio! O om,( foi muito bom, mas agora tô com a cabeça no 10 mesmo.

  • Duda

    Mas The Voice não é um vilão qualquer, ele é o Evil Finch! Todo os irrelevants esperam desesperadamente pela sua volta e foi isso que tornou o episódio simplesmente um deleite pro público. Um plot aberto na 3ª temporada, acho que de cabeça assim, a única coisa realmente pendente de verdade, porque tudo que corria por fora já foi ajeitado. POI não decepciona nunca, se tivesse mais tempo do que esses 13 que porcaria da CBS deu, certamente ia dar um SF perfeitíssimo. Mas a gente confia, vai ser hiper foda, vai ser coisa do outro mundo!