Review: Samaritan começa uma guerra biológica em ‘Person of Interest’

Quase que ninguém escapa vivo de 'Reassortment'.

Críticas anteriores: 5.1 5.2 | 5.3 | 5.4 | 5.5 | 5.6 | 5.7

Comentários sobre o segundo Person of Interest de ontem à noite porque não é como se eu fosse derramar um copo d’água, pisar no seu pé, dar uma cotovelada no seu queixo e te furar com esse sedativo…

Se o primeiro episódio do dia, QSO, passava fácil no teste de veracidade, Reassortment está no extremo oposto, e foi uma decisão interessante parear os dois (apesar de ter sido puramente comercial). Nem por isso o episódio deixa de ser divertido (mas não propriamente engraçado), tenso e curioso para a mitologia de Person of Interest.

A epidemia de uma doença fatal me faz lembrar do finale desastroso da 10ª temporada de Arquivo-X, no qual também aparece uma cura milagrosa e salva o dia. Como em PoI estamos lidando com seres ultra inteligentes, a solução encontrada por Root em Reassortment não é tão desastrosa, mas ainda soa como “bom demais para ser verdade”. Mas mesmo se esse não foi o dia em que o mundo acabou, o episódio fornece um insight envolvente nos planos gerais da Samaritan.

A ideia da eugenia, de criar mecanismos sociais para fortalecer a raça humana, não é nova nem na vida (oi, Hitler) e nem na televisão. Só para ficar no último ano, a teoria foi discutida pelo viés histórico em The Knick e no reino da ficção científica em Orphan Black. É uma concepção real, e é interessante que as séries se aproximem dela de maneiras diferentes, seja pela modificação genética ou pela seleção dos mais saudáveis que a Samaritan (e o título) sugere (é um triste twist que o humano a frente do plano seja uma negra). Junto com a necessidade de sumir com as pesquisas de Krupa Naik para acabar com a fome, Reassortment deixa claro que a Samaritan quer liderar a evolução e o destino do homem na Terra, e que tem gente disposta a fazer isso acontecer.

O número perdido, Jeff Blackwell, também voltou para esse episódio, e agora que descobrimos porque ele é importante para o esquema maligno e o papel que ele desempenha no caso, mais do que nunca ele poderia ser uma adição importante para o Time Máquina. O ex-preso não parece muito convencido e levou a sério o que Root disse para ele. Talvez ele ainda tenha jeito, mesmo se o pé na bunda que tomou da ex-namorada tenha sido um empurrão em direção ao lado negro da força.

Agora está bem claro que se a Máquina continuar só em busca dos números relevantes, a IA boazinha vai ficar para trás e vai deixar o mundo nas mãos da Samaritan. A opção de Root, não só de deixá-la se defender, mas também deixá-la atacar, parece a única possível, ou então temos que acreditar que Finch foi contra até o fim e o monólogo do início da première se concretizou – ninguém sobreviveu.

Finalmente alguém no Time Máquina acreditou no potencial de Fusco e resolveu dar umas dicas para que ele pudesse seguir com a investigação. Isso foi a resposta de Elias à morte de Bruce, e não um verdadeiro voto de confiança, mas a escolha é compensada no fim com uma conversa entre Elias e Finch, na qual fica estabelecido que a guerra precisa de todos que forem úteis. Fusco está investido demais para parar, e ele vai continuar mesmo que seja sozinho, mas a fala de Elias sobre sacrifícios sugere que, com cinco episódios para o fim da série, estamos caminhando para o momento no qual todo o Time lutará unido.

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Depois Arquivo-X e Orphan Black, a fuga de Shaw foi a parte Prison Break desse episódio. É irônico que o túnel que ela usa para escapar da prisão da Samaritan termine em uma prisão real com assassinos reais na África do Sul, e mais irônico que Shaw enfrente isso com um sorriso na cara. Combinada com a situação de Fusco, esse é mais um dos elementos que nos provocam, insinuando uma reunião de equipe para um momento próximo. Mas eu torço para que ainda possamos ver a dificuldade de Shaw para voltar para os Estados Unidos. Ela obviamente terá ajuda da Máquina, mas vai ser legal se tivermos uma explicação visual ao invés de diálogos expositivos.

As expectativas são enormes para o reencontro de Shaw com o Time Máquina. O “mini-eu” a lembra que ela foi capaz de matar Reese, então possivelmente a cena ainda estará na cabeça dela quando o encontro acontecer. E é claro que Shaw se lembra do motivo pelo qual todas as simulações falharam, então vai ser interessante ver como ela vai se comportar diante do casinho unilateral que ela e Root protagonizaram (mais ou menos como quando a gente tem um sonho quente com alguém e no dia seguinte parece que a pessoa mudou, sabem? Haha).

Reassortment foi eletrizante, mesmo nas partes mais bobas. A cura deus ex machina é aceitável porque entrega um pouquinho de esperança em um universo que realmente precisa dela. Mas vendo a Samaritan colocar seus planos perversos em ação, estou cada vez mais inclinada a pensar que vai dar merda para os humanos. A questão é: nós merecemos?

1 x 0 para mim: O livro que Elias dá para Finch, Twelve O’Clock High, é uma história de guerra sobre os ataques de mísseis liderados pelos Estados Unidos contra a Alemanha Nazista. O título se refere à posição do atacante, 12 horas, ou seja: a guerra está na sua cara, Finch!

2 x 0 para mim: Sarah Shahi esteve brilhante nesse episódio, até mais do que em QSO. É uma pena que a CBS tenha passado adiante seu piloto de Nancy Drew. Qualquer canal vai lucrar de tê-la como protagonista.

O que vocês acharam? Comentem ali embaixo!

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