Review: Fusco é soterrado por segredos em ‘Person of Interest’ Para balancear, 'A More Perfect Union' tem Reese fingindo de segurança de striper.

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Críticas anteriores: 5.1 5.2 | 5.3 | 5.4 | 5.5

Comentários sobre Person of Interest de ontem à noite porque eu larguei um cara no altar não faz nem um ano…

Quando eu percebi no início do episódio que A More Perfect Union seria mais um caso da semana, fiquei preocupada. Comecei a escrever essas críticas porque fiquei fascinada com a season première de Person of Interest, e depois com 6741, e com como a série está nos provocando a pensar sobre a realidade do conhecimento digital como nenhuma outra na tevê. Mas eu também sabia que PoI foi usualmente um procedural por vários anos. Ainda acho que é um desperdício fazer episódios de caso da semana quando se tem 13 episódios (e só 8 semanas), mas até então SNAFU e ShotSeeker tinham sido bem interligados com o arco principal e a guerra Máquina vs. Samaritan.

A trama central de A More Perfect Union não está ligada a nada, a não ser o fato de que em vez de um número, a Máquina forneceu a data e a hora de o casamento, o que Finch lê como apenas um traço de personalidade, em vez de uma falha. Apesar de ter partes divertidas e paralelos espertos (Root sendo a princesa que chega de armadura em um cavalo para salvar a mocinha depois de ter sido dispensada como quem não combinava com casamentos), o mais importante do caso é o fim, que sugere que daqui para frente as coisas não serão tão fáceis (e quem sabe não teremos mais casos da semana). A imagem de Finch, Root e Reese se fazendo companhia na solidão, assistindo aos irrelevantes totalmente inconscientes da guerra travada lá fora, foi trágica sem apelar para a o abatimento completo.

É uma pena que o casamento tenha sido o foco do episódio, já que os enredos de Shaw e Fusco foram tão mais interessantes e reveladores. Outra vez (duas vezes em menos de meia temporada), eu fui enganada pelas simulações da Samaritan (mais surpreendente é que a própria Shaw não o percebe imediatamente após ver o garoto). Eu estava esperando o momento no parque em que Shaw iria esbarrar no Time Máquina por coincidência, mas pensando agora, tirá-los da cidade para uma festa no campo foi mais um dos truques que o episódio usa para fazer as coisas parecerem um pouco mais críveis. Claro que o twist não teve o mesmo efeito emocional de 6741, principalmente por ter sido usado de novo em tão pouco tempo, mas ainda funciona porque pelo menos depois de sete mil simulações, a Samaritan resolveu mudar o método de convencimento, o que quer dizer que não abandonamos a história de Shaw e nem a ousadia das estratégias do computador do demo. O que tem de irônico em uma criança falando sobre a Terceira Guerra Mundial, tem de maligno, e aparição do garoto dá um toque interessante de perversão à Samaritan.

Para Fusco, as coisas vão ladeira abaixo quando ele se recusa ajudar o Time Máquina e começa a fuçar por conta própria no mistério das pessoas desaparecidas, incluindo a química que arrumou um jeito de acabar com a fome na semana passada, Krupa Naik. A investigação é um sucesso e ele descobre os corpos de todos os sumidos em um túnel abandonado, incluindo Bruce Moran (bom te conhecer por dois episódios, tchau), mas não a tempo de fugir da armadilha da Samaritan de demolir o túnel para esconder os crimes. Obviamente Fusco está vivo (você não me engana mais, Person of Interest), já que ele falou com Finch antes de tomar uma cimentada na cabeça e também porque… né? O interessante é que o acidente vai forçar Finch e Resse finalmente abrirem o jogo com Fusco, e provavelmente sua narrativa ficará mais expressiva e mais entrelaçada com a grande batalha entre Samaritan e Máquina (que continua a apanhar loucamente). É essa a história que realmente queremos ver, mas até que Finch fingindo de irlandês bêbado cantando We’re Not Gonna Take It não é o pior jeito de atrasá-la.


Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.
  • Eder Silva

    Fusco tem que saber a verdade, Finch tem que dar poderes a Máquina, o Samaritano está agindo como na Matrix, usando a gente para seu benefício próprio. Mas tudo caminha bem, Root está fiel ao proposito que lhe foi confiado.

  • Stephen Holder

    Pelo amor dos nervos saudáveis, o que vai ser esperar até segunda depois desses três episódios! Quando sai a review?

    • Duda

      Cara, semana que vem vai tá todo mundo ferrado, pra não dizer outra coisa hahahaha. Segura a ansiedade!

  • Duda

    Sério essa história que você deixou um cara no altar? hahahahahaha, não acredito não. Olha, o que eu entendi desse episódio é que ele foi tipo, um último refresco, uma oportunidade de algo mais leve porque agora a coisa vai ficar feia, e pra quem viu os dois de ontem sabe disso. E POI não é exatamente um procedural e nunca foi baseado somente em casos da semana, ela sempre foi uma série híbrida, como Fringe, sempre teve os casos sim, mas desde a primeira temporada ela já planta elementos importantes para se desenvolver. A primeira é praticamente inteira pra estabelecer e reforçar os laços de amizade e confiança principalmente entre Finch e Reese, trazendo para o team a Carter e o Fusco, além de apresentar como foi a concepção da Machine. Já na segunda, é aonde começa o arco do Samaritan e incrivelmente, a gente só percebe isso revendo a série, porque a coisa só vai estourar mesmo na metade da 3ª temporada. E é nessa segunda que vemos a recorrência da Shaw e da Root. A terceira é aonde o Samaritan nasce e sua ascensão e coisa é assustadora. Na 4ª temporada, é mostrado na série como é viver num mundo vigiado pelo Samaritan e como o team teve que se adaptar a essa rotina, ainda na luta para derrubá-lo e trazer o mundo como conhecemos de volta. Acho uma baita injustiça falar que a série está baseada em casos da semana porque não é assim, ela tem toda uma estrutura muito bem planejada. Os casos são os CPFS, é o que a Machine oferece desde sua criação, números relevantes para o governo e irrelevantes para o Ingram, e posteriormente para o Finch. Se ela não fizer isso durante o percurso, pra que que ela serve então? É a única coisa que ela faz, apesar de poder fazer mais. Não é tipo o Samaritan que interfere o tempo todo no andar natural das coisas. Eu entendo que tem hora que isso enche o saco, porque o que queremos é a história principal, mas é preciso considerar que não existe história principal sem esse trabalhinho da Machine. Concordo que podiam ter desenvolvido mais nesse episódio o plot da Shaw e do Fusco, mas eu não me incomodei com o caso porque foi divertido, foi leve e agora a coisa vai descambar. Quando a série quer ser cruel, ela faz isso de forma implacável e agora vai ser o momento do sofrimento. Quem tá reclamando desse episódio vai sentir saudade depois hahahahahaha, vai dizer “porque não acabou no 5×6, why???” .

    Obs: E POI sempre fazendo a gente pagar a língua, depois daquela cena do Finch cantando no casamento, vou ter que reavaliar a minha afirmação de que nada vai superar aquela cena dele do 1×18 hahahahahahahahahahaha! Depois disso também, ainda mantenho a minha esperança de que a série ainda consiga fazer um episódio melhor do que 4×11. Eu até colocaria meu dinheiro no 5×10, por vários motivos, mas não me lembro direito dos roteiristas e acho muita pretensão que o último seja o melhor, mas continuo mantendo o otimismo.

    • Stephen Holder

      Grande Duda, economizou meu teclado, pois quando li a rewiew me veio tudo isso aí em mente. A verdade é que você Ana, só irá compreender esse mundo de poi depois que ver a série desde o começo. A máquina foi construida de forma diferente, existe um motivo por exemplo para ela se comunicar com Root e não com Finch que seria bem mais óbvio, já que ele a construiu. Assistir desde o início faz você ver esse desenvolvimento, ver a máquina se desenvolver de uma maneira que ultrapassa os códigos digitados por Finch que bloquearia qualquer tentativa dela de se modificar. Ela agora é um sistema aberto, mas com um “códex” que a torna naturalmente vulnerável ao Samaritan que ao contrário dela, não está nem um pouco interessada em nós, e sim apenas em manipular a situação para no fim ter todos sob controle. A máquina tudo que ela faz e decide, TEM que ser para o bem da humanidade. Mas, ela vai descobrir qual o “ponto fraco” de Samaritan e já fico pensando como todo mundo vai saltar da cadeira quando aquele quadro do placar 0 para a máquina, começar a subir. Gostei muito do episódio, sinceramente gostei de todos até agora, teve o velho humor de sempre da série, teve ação bacana, foi intrigante com a nova simulação do Samaritan, de um suspense ao ver o grande Fusco que já foi um fiasco encarar uma descoberta daquela sozinho. Tem que ter cpfs, tem que ter pessoas a serem salvas, mesmo que isso
      talvez seja irrelevante para nós, considerando os poucos episódios que
      restam para o final.

      • Duda

        Tem que ter os CPFS, Stephen, é isso aí, depois de tanto trabalho que o Finch teve pra fazer essa bagaça, tem que por ela pra funcionar hahahaha! Cara, Fiasco!! hahahahahahahaha, rindo eternamente disso, nem lembrava mais, meu, que saudade dessas coisas que a gente vai lendo nos comentários, até mesmo quando a Ana fala de algo que ela não sabe direito vem aquela lembrança, putz, essa série vai deixar saudade. Você falou agora da Root com a Machine, noossa, foi uma coisa tão bacana quando aconteceu, a primeira vez que a gente vê o Finch interagir com a Machine, a história do arranjo com a Grace que é sensacional. E saber que tá terminando, que droga hahahaha. O negócio é se agarrar aos últimos mesmo, fazer o quê.

    • Iago conceição grigorio

      ótimo!
      isso que é legal em POI, tem o carro chefe, os CPFs, que se entrelaça e desenvolve um outro trama em paralelo.

  • Lee Santos

    Já vi esse tipo de atitude em outras séries que também estavam em suas últimas temporadas, com muitas coisas relevantes a serem mostradas reveladas e resolvidas decentemente, e os roteiristas, enrolando. Isso irrita sim profundamente. Com apenas 13 episódios, concordo que os casos da semana poderiam ser encurtados, minimizados, colocados em segundo plano etc. A impressão que fica é que com a batalha das duas I.A. a série evoluiu imensamente, e os casos “da semana” puxam um pouco a série em um patamar um pouco abaixo de onde a excelência dos próprios roteiristas a levou. Torço e espero um final eletrizante para Person of Interest.