Review: Paige começa a dar as cartas em ‘The Americans’ E uma morte inesperada coloca o mundo de cabeça para baixo novamente.

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Comentários sobre The Americans de ontem à noite porque eu só converso com meu pai agente do FBI sobre design de interiores…

The Americans continua a me surpreender, mesmo nos arcos mais previsíveis. Munchkins é tão cheio de ação e acontecimentos grandiosos que poderia parecer bagunçado, não fossem as férias de duas semanas atrás. Dois homens saem de seus países em uma jornada, só um volta vivo, mas a experiência marca os sobreviventes dos dois lados.

A morte de Gaad* faz todo o sentido, mesmo que não tivesse passado pela minha cabeça antes. Se ele só tivesse saído em silêncio, as coisas continuariam mais ou menos as mesmas no FBI (com a diferença que agora temos o Agente Taub  Wolfe como diretor). Não é difícil de imaginar que o FBI vai ligar o assassinato à KGB rapidamente, o que vai colocar Stan em modo V de Vingança. As últimas palavras de Gaad para o agente, em tela, foram para que ele não esquecesse que Oleg ainda é o inimigo. Stan vai interiorizar a lição, e as consequências vão ser elevadas à décima potência em comparação com a morte de Amador. Fique esperto, Philip.

*Eu espero que expliquem o plano com detalhes, porque até então Gaad seria a última pessoa que eu pensaria que poderia ser convertida. Talvez os russos quisessem sequestrá-lo? Mas nesse caso, qual era “a proposta”?

Paige é a personagem mais intrigante de The Americans no momento. Ela transita entre a mais pura honestidade e a óbvia manipulação com uma sutileza incrível (kudos, Holly Taylor). A garota não gosta de trabalhar para KGB, e se fosse uma escolha ela não a faria, mas finalmente existe a consciência do que é o trabalho, do porquê ele é necessário e do que precisa ser feito. A amizade (e quem sabe um romance) com Matthew é verdadeira, mas Paige consegue arrancar dele informações confidenciais sobre o FBI. A amizade com Alice é verdadeira, mas Paige já está de olho na hora certa para pedir a fita. Quando Elizabeth responde ironicamente “Você acha que a gente sequestra e mata as pessoas?”, Paige sai da sala sem acreditar. Não será uma surpresa quando a resposta positiva a essa pergunta surgir, e então a mini espiã vai estar com a mente pronta para ouvi-la.

Assim como The Magic of David Copperfield V: The Statue of Liberty Disappears trouxe de volta Lisa, Munchkins evocou a existência de Kimmy, a estudante de 15 anos com quem Phillip se recusou a dormir (e não sabemos o que aconteceu nesse meio tempo). Essas reaparições são um importante lembrete de que os casos em que eles estão trabalhando não vão embora só porque não estamos mais os assistindo. Kimmy confia a Phillip a verdadeira profissão de seu pai, e a confissão reascende a mágoa de Phillip por Paige ter contado seu segredo. Com Phillip, mais do que com Elizabeth, a decisão de Paige refletiu mais do que no risco de serem presos ou de terem que deixar o país, mas em um voto de confiança quebrado entre pai e filha. E agora que eles começaram a retomar a relação (ele até deixou ela dirigir o Camaro), Phillip foi lembrado da maneira mais inocente que garotas de 15 anos nem sempre vão ser confiáveis.

E Elizabeth que sempre foi a mais durona, está agora tendo seu desmoronamento interno. Naquela grande briga com Philip, ela fala de Gregory e Irina. De novo, os nomes familiares nos lembram que ainda que eles sejam treinados para isso, o trabalho deixa cicatrizes que serão levadas para toda a vida. Elizabeth assiste de perto a ruptura que a noite com Don causou, e talvez porque isso a remeta à própria família, ou porque Young-Hee tentando fazer o possível para manter a família unida remete a ela própria, ou porque éla se diverte de verdade na companhia da vendedora, a situação leva Elizabeth ao limite, e ela finalmente aceita o conselho de Philip e pede ao Centro para reformular o plano.

Elizabeth está se quebrando aos poucos, e Philip não está ainda totalmente recuperado do caso Marta. Isso faz com que Paige seja a espiã mais estável da casa. WTF, The Americans?

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Também tem coisa minha lá no Séries do Momento. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.