Review: Shaw está de volta em um louco ‘Person of Interest’ '6741' equilibra romance e tragédia enquanto nos leva para uma aventura

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Críticas anteriores: 5.1 | 5.2 | 5.3

Comentários sobre Person of Interest de ontem à noite porque é uma droga quando tentam te queimar com um ferro de passar…

Se 6741 foi um choque para mim, imagino para quem acompanha Person of Interest desde o início. Ainda que a trama principal não tenha avançado muito, essa foi uma hora espetacular de televisão, uma mistura de ação, romance e tragédia que provocou um efeito para lá de real, independente dos seus 20 segundos finais.

Se essa foi a muito esperada volta de Shaw para os fãs, para mim foi uma introdução interessante à personagem. Tenho certeza que sai de 6741 com a impressão certa: achando ela uma fodona e querendo que ela tire logo os oclinhos de realidade virtual e se junte ao Time Máquina para valer. Se a cena quente entre Root e Shaw foi a culminação de anos de tensão sexual, para mim foi só um começo que me deixou querendo mais (o que quer dizer que provavelmente vou ser decepcionada). E se 6741 foi uma rima visual com o aclamado If-Then-Else, eu quase quero que PoI termine logo para poder assistir a série desde o começo.

Não sei se vocês sacaram antes do fim que todo o episódio tinha sido um sonho, mas a série se esforçou para esconder o segredo final. Tivemos cenas de outros personagens conversando, como Reese e Root, Greer e Lambert, e só depois percebemos que elas faziam sentido porque Shaw estava escutando de alguma forma. Se dois personagens importantes morreram, ao mesmo tempo que balõezinhos de “WTF?” pairavam sobre minha cabeça, eu lembrava do monólogo apocalíptico da Root na season première. Aquilo poderia ser um truque, mas eles avisaram, então podemos esperar mortes, mesmo que não possamos prever como elas vão acontecer.

Eu não esperaria que Shaw fosse uma romântica, mas quando ela precisou escolher entre a própria vida e a vida de Root, se matar foi o gesto mais romântico do mundo. E saber que ela o fez todas as outras 6740 vezes foi comovente. Claro que não sabemos se Root reagiria na vida real como agiu na simulação da Samaritan, mas foi um toque sutil que ela tenha escolhido ignorar tudo que parecia estar errado com Shaw por causa do que sentia por ela. Root diz a Reese que ela está se comportando de forma estranha (ela nunca faria aquela parada na mesa da cozinha?), mas ela ainda prefere confiar que Shaw faria a coisa certa caso chegasse ao confronto. Depois de tanto fritarem seu cérebro obrigando-a reviver aquele dia 6741 vezes, talvez Shaw não seja mais Time Máquina, mas ela definitivamente é Time Root e definitivamente não é Time Samaritan.

Com o tempo, eu aprendi a apreciar a arte dos episódios “bolha”, que acontecem quase que em um universo paralelo das séries sem necessariamente avançar o arco central, e também das sequências de sonhos, que na maioria das vezes parecem perda de tempo. 6741 prova que mesmo em uma temporada de 13 episódios, ainda há espaço para as duas coisas se elas forem feitas assim, beirando a perfeição. The Leftovers fez com International Assassin e Mad Men fez com Mystery Date. E agora Person of Interest se junta a essa honrada lista. Não é pelo choque final, e a revelação nem é a parte mais importante da viagem. O que faz o desvio valer a pena é a investigação da psique da personagem. Shaw é incentivada a fazer o mal, ela continua apagando e acordando com armas na mão. Mas ela também continua a tentar enganar a Samaritan, descobrindo que o chip era um placebo e estourando seus miolos. A repetição deveria fazer com que Shaw virasse cada vez mais um robô do mal, mas talvez esteja surtindo o efeito contrário: cada vez que recomeça, ela sabe um pouco mais sobre como trapacear o jogo. Mesmo que ela ainda não tenha achado a saída.

6741 é meu episódio preferido de Person of Interest até agora. Foi uma provocação, uma amostra de quão desafiadora a série pode ser quando não está presa ao formato do procedural clássico. Só resta saber se é possível superá-lo.


Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Também tem coisa minha lá no Séries do Momento. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.
  • Lee Santos

    Cai fora, Milhouse! eheh, mas na boa, deu para perceber que nada ali era real já no início da fuga, com o convidativo barquinho só esperando a Shaw para fugir nele. E também na hora da improvável captura de Greer.

    • Esdras Dutra

      Exato…
      Tudo ficou muito esquisito.
      Mas, em se tratando de Person Of Interest, nunca sabemos o fim das coisas, e isso confere a beleza para a produção.
      Poderia ser tudo, mas: alguém pensou que era uma simulação em realidade virtual, reforçada por um microchip? (Sobre ele ser um placebo, foi como o subconsciente dela reagiu, mas, sabemos que é por ele que a equipe do Samaritan consegue ver o que se passa na mente da Shawn)

      • Stephen Holder

        (SPOILER, cuidado Ana)………………………………………………………….

        Tenho minha teoria quanto a isso. E duvido muito que seja apenas um placebo. Aconselho a rever o episódio 4×13. Quando Root e Reese vão lá naquela cidade em busca da Shaw e descobrem aquela fábrica que estava fabricando transponder. Lá mostra aqueles implantes cerebral com transponder que imite para Samaritan informações de ondas cerebrais. Root diz algo bem significativo lá, basta reverem o episódio. Samaritan criou uma simulação gráfica com um enredo pronto que muda apenas com as ações da Shaw, o que torna a simulação lógica. Uma superpermáquina seria capaz, ela tem fotos, imagem gráficas de todos os envolvidos. Daí, o implante no cérebro da Shaw apenas transmite as ondas cerebrais ao Samaritan que em tempo real é codificado na simulação em imagem e ação. O que torna possível a visualização em tempo real na telinha. Mesmo que eu esteja errado, aquele episódio 4×13 já deu um spoiler dos grandes para entendermos o que se passou no 5×04.

  • Stephen Holder

    Eh…a velha cena do ferro de passar, aquilo realmente foi histórico. Eu particularmente achei desnecessário a relação Shoot. Mesmo achando as meninas brilhantes. Uma coisa muito boa de se acompanhar em POI é o desenvolvimento dos personagens. Para mim, a amizade entre eles e a determinação dela em salvar pessoas, foi suficiente para entrarmos nesse mundo que é Shaw. Você vai ver isso no episódio da garotinha espiã, em um outro em um telefonema dela ao Fusco, ao deixar Reese e o ex Boss no apagão para ajudar Root e o grande final em 4×11. Não foi apenas Root a receber o resultado do sacrifício, mas todos eles. Esse episódio mostrou o quanto Shaw é sim “fodona”, como você descreveu, é impossível não gostar dela desde o início, ao contrário da Root que teve metade do povo na primeira temporada, querendo queimá-la no ferro de passar. hahahahahahahaha

    • Duda

      Eu também achei desnecessário, porque sempre tenho a impressão que foi forçada pelos fans. As meninas são ótimas, lindas e talz, mas, não era pra tanto. Pou, cara, a Shaw sempre foi uma cavala com a Root, hahahahaha, toda vez que ela vinha dando flerte tomava uma, aquela dela o canude de refrigerante que a Root usou ri tanto, teve os interesses masculinos dela e eu achava que isso era coisa da imaginação dos shipper, mas eles venceram. A Root me conquistou, porque eu odiava ela desde o começo, toda aquela tortura horrorosa que ela fez o Finch passar. Mas, enfim, acho que tem coisa que só boa na cabeça, enquanto não acontece. Agora acho que vai ficar chato, imagina só as duas se chamengando hahahaha, era tão divertido ver a Shaw dando uns chega pra lá na Root.

      • Esdras Dutra

        Essa é a questão: Denise Thé fez um “fanservice” que existiu apenas naquele universo paralelo e pronto.
        Tenho quase certeza de que não veremos mais um “Tiro” tão quente assim.
        É CBS, não vemos cenas quentes com tanta frequência e, por querer ser livrar da série (é o que ta parecendo), os Chefões de lá deram alguma liberdade criativa para o @POIWriter’sRoom.
        Sendo assim: SHOOT era questão de tempo, já que Shaw se sacrificou pelo Team e principalmente por Root.

  • Duda

    hahahaha, curti essa pesquisinha aí em cima, já votei, é claro! Poxa, conhecer a Shaw assim, sem ver a cena do ferro antes, que é isso? Foi ali que Shoot começou,que saudade! Boa época que ficava todo mundo dizendo “eu tive a sensação que as duas iam começar a se pegar ali”. Sério, o episódio de introdução das duas, a da dona Root na primeira e da madame Shaw na segunda são maravilhosos. O da Shaw ganha pela apresentação do episódio em si, que tem um formato inesperado pra quem tá assistindo pela primeira vez. Mas da Root eu dou risada até hoje por causa do quadradinho amarelo em cima dela o episódio inteiro e só foram notar muito tempo depois, tipo, uma temporada! Muito bom esse pessoal de POI, tem spoiler dentro do episódio e ninguém repara hahaha. Boa review, ♫ tá virando irrelevant ♫ :D… quero só ver se você vai dar um apanhado depois das outras temporadas, adoro ver a reação dos iniciados hahaha! Valeu mais uma vez, e hoje tem mais um, volto pra ler a outra review.

    • Ana Carolina Nicolau

      hhaha que desenho mais massa esse do iron throne uahauhuauah

      • Stephen Holder

        Mais eu ri com essa imagem…lol

    • Iago conceição grigorio

      hahahah. num universo paralelo as duas se matam só para decidir quem pode sentar nesse trono, assim sobra para o ferro!