Review: A Máquina é só uma máquina em ‘Person of Interest’

O certo e o errado não se confundem em mais um fascinante episódio.

Comentários sobre Person of Interest de ontem à noite porque todo mundo precisa de Listerine, fio dental e esmalte de unha preto.

Vez ou outra eu assisto uma série só por causa dos títulos dos episódios. A arte de intitular histórias é algo que me fascina. Parece ser o caso de Person of Interest. SNAFU, episódio dessa segunda*, funciona como uma piada no tempo certo. O acrônimo é uma gíria militar, “Situation Normal, All Fucked Up”, mas mesmo quando “All Fucked Up” parece ser a norma em PoI, ainda soa como um eufemismo para o tipo de problema que Finch, Reese e Root enfrentam no episódio. Ainda que o problema não seja nada engraçado.

*Para tirar o atraso, a CBS vai exibir essa temporada de PoI em um calendário maluco: segundas e terças, às vezes dois episódios de uma vez, às vezes só um por semana.

Depois de ser confinada em uma maleta e salva por PlayStations 3 aquecidos e resfriados, era de se esperar que a Máquina tivesse sequelas. A cena inicial de SNAFU aproveita para que a série tire sarro de si própria. Uma das coisas que eu mais li sobre PoI é que a performance de Jim Caviezel é limpa. Limpa demais, sem graça. Ele veste sempre a mesma roupa, faz sempre a mesma cara. Colocar os atores para fazer imitações uns dos outros como um teste de reconhecimento facial para a Máquina é uma jogada esperta da produção, um aceno para os críticos ao mesmo tempo uma forma engraçada de pontuar as complicações criadas pela compactação e descompactação.

Outra dessas complicações é o valor absoluto que a Máquina tem de bem e mal (isso é ela imitando a Samaritan? Espertos!). Se uma pessoa matou outra, ela é má. Se ela fez ameaças, ela é má. É compreensível que a Máquina não se sinta confortável na presença do Time Máquina. Vendo toda a filmagem dos tiros de Root e Reese dispararam e as tantas vezes que Finch quis desligá-la, sem entender a história toda seria fácil achar que eles são os bandidos. Pisamos em território de 2001: Uma Odisséia no Espaço quando a Máquina resolver dar uma de Hal e se vira contra seus controladores.

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Enquanto Finch e Root estão presos no metrô (“Abra as portas do compartimento, Hal”), e Reese tenta escapar da assassina de aluguel, a série faz de tudo parar tornar os momentos mais tensos em cenas de ação divertidas, seja Finch gritando “Corra para salvar sua vida” ou o Detetive Fusco esquecendo o celular. Isso funciona muito bem, retomando o tema que o nome do episódio sugere: nada é tão fodido que não caiba uma piada. Aliás, eu não imaginava que fosse haver tanto espaço para humor em Person of Interest, mas SNAFU é surpreendentemente engraçado. É uma característica do texto, mas também da entrega habilidosa dos diálogos pelos atores, especialmente Caviezel, que se não se destaca pelas expressões, usa a ironia com maestria.

O dilema apresentado em SNAFU também é por si só irônico. Finch quer eliminar a possibilidade de erro humano nos protocolos, mas ao mesmo tempo, pede que ela julgue baseada em contexto, um conceito bem humano. Um computador não é só um computador se está funcionando no cinza em vez de preto e branco, zeros e uns. Mas qual é o custo se a Máquina não for só um computador? Essa é uma pergunta que ainda estou tentando entender ao sair do meu segundo* episódio de Person of Interest da vida. Essa também parece ser a pergunta que a série quer deixar para a humanidade, então eu não devo estar tão mal assim(?).

*Se você não leu meu texto da semana passada e não sabe porque esse é meu segundo episódio, a explicação está aqui.

O que vocês acharam? Comenta aí!

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