Review: Você deveria ver ‘Person of Interest’ mesmo se for pela primeira vez

Como o thriller científico me ganhou em sua quinta e última temporada

Comentários sobre a season première de Person of Interest de ontem porque é cruel apagar a RAM todo dia à meia noite…

Eu nunca vi Person of Interest. No entanto, sempre ouvi falar e li alguma coisa sobre “a melhor série de ficção científica dos últimos tempos”, e junto com o fato de ser uma criação de Jonathan Nolan, existia pelo menos uma pontinha de curiosidade em mim, o que em algum momento me faria encarar suas quatro temporadas. O problema é que com a quantidade de séries boas na tevê atualmente, uma temporada de 22 episódios é uma barreira natural ao rito do “colocar em dia”, e então esse momento não chegou antes de ontem, mesmo com matérias de utilidade pública como o guia completo dos episódios essenciais que o crítico Matt Fowler, do IGN, escreveu para os atrasados.

Mas a notícia de que seriam só 13 episódios nessa quinta e última temporada de PoI me despertou a vontade de novo, porque uma temporada curta, nos moldes dos canais à cabo, sempre significa menos episódios fillers (o famoso encheção de linguiça) e mais cuidado com os arcos principais da história. E essa sendo uma história sobre uma inteligência artificial que identifica números de CPF de bandidos e vítimas sem dizer qual é qual, seu criador e seu amigo detetive, é uma história que deve valer a pena ver.

Os próximos meses serão um experimento narrativo. Talvez eu precise recorrer à lista de Fowler, talvez eu peça ajuda ao namorado que apelidou PoI carinhosamente de Jesus de Bazuca (todos sabem que Jim Caviezel foi Jesus em Paixão de Cristo, certo? não), mas no geral eu só espero que esse seja um daqueles casos “é tão bom que eu tenho que ver desde o começo”.

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Hello to you, sir!

Nunca fiz isso, começar a assistir uma série pelo meio (ou pior, pelo fim). Claro, séries policiais procedurais e desenhos animados não contam, e ainda que PoI possa se encaixar vagamente em policiais procedurais, eu sei que sua mitologia não é vaga o suficiente para que seja possível ligar a televisão no meio de um episódio qualquer e entender tudo o que está se passando. Em minha defesa, muitas boas séries começaram a contar suas histórias pelo meio, talvez a mais famosa delas sendo Lost, a última vez que eu tinha visto Michael Emerson, em um personagem não muito legal e completamente diferente de Finch, o nerd bilionário que inventa A Máquina (tem nome? não sei), e depois precisa lidar com o fato de que o discípulo superou seu mestre.

Com medo de que os 40 minutos de B.S.O.D. – que depois descobri que significava tela azul (leiga) –, fossem ser uma metralhadora de palavras, nomes e situações que eu desconhecia, fui para a season première sem muitas esperanças. Mas não foi. Ou foi, mas eu não liguei, porque ao final do episódio, eu estava emocionalmente ligada à Máquina, como se em uma jogada de extrema inteligência, muito superior à nossa, a invenção de Finch tivesse me manipulado, me seduzido, me conquistado.

Uma coisa genial sobre Person of Interest é que, apesar de as IA’s não terem rostos, como em Ex Machina, nem vozes, como em Ela, cada uma tem uma personalidade bem distinta, o que nos faz vê-las como personagens mesmo se falta a identificação visual. Isso é obra de um roteiro bem escrito, e soa até revolucionário quando comparado com outros dramas cyber-tech futurísticos.

Se eu demorei alguns minutos para sacar o que significava a cena de abertura, na qual ouvimos uma narração apocalíptica e então o detetive John Reese (Caviezel) é perseguido enquanto tenta proteger uma maleta ao som de No Wow, do The Kills, isso foi relevado pela eficiência da cena em si. Não é sempre que uma sequência de ação com tantas mortes no meio da rua, algumas em plena luz do dia, consegue deixar clara as diferenças entre bem e mal, entre certo e errado, entre o necessário e o exagero. Todo aquele sangue sugere grandiosidade, e logo entendemos a importância do que está em risco. É uma operação tão gigante por causa de uma maleta tão pequena que, quando, na cena final, a Máquina finalmente fica livre, o paralelo funciona como um fim redondinho de um episódio independente, mas também como a primeira página de um capítulo que ainda será contado fora da tevê, talvez em um livro de História, talvez em uma versão digital do que um dia foi um livro de História.

E isso é o que a boa ficção científica faz, testa conceitos para a autodestruição, como se fossemos muito humanos para resistir à bons computadores. Ou simplesmente muito humanos para resistir à boas sérias sobres bons computadores.

Person of Interest

Ver a Máquina piscar foi quase tão emocionante quanto ver Jon Snow abrir os olhos

 

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