Ouvindo o filme: Guardiões da Galáxia

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Quem assistiu Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014) sabe que a música foi um dos elementos fundamentais para o sucesso do longa-metragem, dirigido por James Gunn. Logo, não é exagero dizer que ao lado de Peter Quill (Chris Pratt), Gamora (Zoe Saldana), Rocky (Bradley Cooper), Groot (Vin Diesel) e Drax (Dave Bautista), a fita cassete e o walkman também são protagonistas. Isso mesmo, enquanto os heróis se esforçam para guardar a galáxia, as duas relíquias terráqueas asseguram o ritmo da aventura dos estúdios Marvel.

Antes de falar sobre o “Mix Impressionante” que o Senhor das Estrelas (Peter Quill) não cansa de ouvir, se faz necessário evocar o compositor Tyler Bates, criador do que ouvimos mais além, ou seja, a trilha sonora incidental do filme. Tyler é responsável por diversas trilhas de filmes, séries de tevê e vídeo games, assim como produziu álbuns de alguns grupos americanos, com destaque para The Pale Emperor de Marilyn Manson (2015). Dentre os seus trabalhos, podemos citar as trilhas sonoras do filme 300 (2006) e do jogo God of War: Ascension (2013). A parceria do compositor com o diretor James Gunn começou antes mesmo de Guardiões da Galáxia. Tyler compôs, anteriormente, as trilhas de dois filmes dirigidos por James: Slither (Seres Rastejantes, 2005) e Super (2011).

Apostando no grande poder que a música exerceria nesse filme, James pediu a Tyler que escrevesse algumas faixas antes de filmar. Então, na contramão dos ritos do estúdio de filmagem, os atores gravaram as cenas para que elas se adaptassem às músicas já compostas e não o contrário. Como resultado, fomos agraciados com coreografias inteiramente sincronizadas com a música tema, tanto nas cenas cômicas como nas sequências de conflito.

Grandes sucessos dos anos 70, gravados numa fita cassete, são o presente valioso que a mãe de Peter Quill deixa para o filho depois da morte dela.  E enquanto o garoto sem lar nem família usa o presente, incansavelmente, para lembrar dos seus, também o transforma no roteiro mais apropriado para a aventura interplanetária, que tem como missão proteger outras famílias.

Na primeira aparição de Peter (ainda criança), da fita e do walkman, a música que interliga os três é I’m Not in Love, balada romântica do grupo britânico de rock 10cc. O garotinho se esforça para não sofrer por sua mãe, assim como o eu-lírico da canção em relação a sua amada. Eric Stewart, um dos membros da banda, compôs a música, com a ajuda de seu colega Graham Gouldman, em resposta à sua esposa que dizia que Eric não falava “eu te amo” com a frequência que ela gostaria de ouvir. I’m Not in Love é uma das canções, em inglês, mais populares da década de 70. Além dos prêmios que recebeu, em 1976, já foi executada nas rádios americanas mais de 3 milhões de vezes desde o seu lançamento.

A banda americana de rock Redbone embala a caça ao tesouro de um Peter crescido e bem adaptado na vida fora da Terra. Come and Get Your Love, foi composta por Lolly Vegas, vocalista e guitarrista da banda. A música, marcante por suas linhas de baixo, foi a quarta música da Billboard Hot 100, no ano de 1974. A curiosidade é que ela tem uma versão longa que raramente é tocada.

Para recuperar a fita, tão importante para ele (e para a história), Peter não hesita em brigar com os guardas da prisão. Um momento de bravura não poderia ficar sem um tema. O cantor americano B. J. Thomas foi quem deu vida a Hooked on a Feeling pela primeira vez, em 1968. A composição de Mark James, foi um sucesso e em 1969 esteve no Top 5 da Billboard Hot 100. Alguns anos depois, em 1971, Jonathan King acrescentou o famoso “ooga chaka” à introdução. Seguindo esse caminho, a banda Blue Sweede fez a sua versão, permanecendo com o recurso vocal incorporado por Jonathan e fazendo uma alteração na letra para suprimir uma suposta referência às drogas. Em 1974, a versão do grupo sueco se tornou a mais tocada nos EUA.

Cherry Bomb é a canção de maior sucesso da banda de punk rock The Runaways. Formado apenas por mulheres, o grupo representa o espírito revolucionário que os guardiões da galáxia precisam na hora de conceber os seus planos contra o vilão Ronan (Lee Pace). A composição, segundo contou Cherrie Curie, que foi a vocalista do grupo, foi feita rapidamente por ela mesma durante a audição para a banda, pois as outras integrantes não sabiam tocar a música que ela havia escolhido anteriormente. Cherry Bomb foi lançada em 1976 e fez bastante sucesso, principalmente, no Japão.

Os Jackson 5 não poderiam faltar em uma coletânea dos anos 70. I Want Your Back, interpretada pelos irmãos Jackson, mas apresentando Michael como a voz destaque, foi lançada em 1969 em um single onde a cantora e atriz Diana Ross apresenta o quinteto. A música foi número um da Bilboard Hot 100, em janeiro de 1970. Hoje, ela está no famoso ranking das quinhentas melhores músicas de todos os tempos, mantido pela revista Rolling Stone.  Quando I Want You Back toca no final de toda a saga é para simbolizar o desejo maior de que aqueles que se foram voltem de onde quer que tenham ido e não importa há quanto tempo.

 

Awesome Mix Vol. 1

Hooked on a Feeling – Blue Swede
Go All the Way – Raspberries
Spirit in the Sky – Norman Greenbaum
Moonage Daydream – David Bowie
Fooled Around and Fell in Love – Elvin Bishop
I’m Not in Love – 10cc
I Want You Back – Jackson 5
Come and Get Your Love – Redbone
Cherry Bomb – The Runaways
Escape (The Piña Colada Song) – Rupert Holmes
O-O-H Child – The Five Stairsteps
Ain’t No Mountain High Enough – Marvin Gaye and Tammi Terrell

Quem escreveu

Joamila Brito
Gosta de histórias fantásticas e ficção científica bem humorada. Assiste terror com moderação, pois nunca se sabe quando os fantasmas resolvem aparecer. E troca qualquer blockbuster por um filme gravado no interior do Brasil.