Hotel Transilvânia 2

Hotel Transilvânia 2, o segundo filme da franquia produzida pela Sony Pictures, chegou aos cinemas brasileiros com a continuação da história de monstros que vivem em pleno século XXI. Com o roteiro de Adam Sandler e Robert Smigel, a animação, que parece ser feita para crianças, consegue tirar risos e mesmo lágrimas dos adultos. Admito, eu ri mais que as crianças e acho que até assustei alguns pais na sala de cinema.

Hotel é ambientado em uma era na qual monstros e pessoas vivem juntas, postam selfies, usam o Facebook, publicam vídeos no YouTube, fazem uma grande propaganda da Sony usando os produtos da empresa, passeiam nos parques e pedem pizzas, ao invés de tomar o sangue das vítimas. Agora, a novidade é que o hotel não é só para monstros como no primeiro filme. Ele está aberto, tcharam!, para as pessoas, mesmo que humanos e monstros ainda tenham suas diferenças.

No entanto, a quebra desse paradigma é feita pelo casamento incomum de Mavis, uma vampira, herdeira de Drac, dono do hotel e pai super-protetor, e Johnny, um humano zen que veio parar na Transilvânia por um mero acaso, explicado em Hotel Transilvânia.

Mavis e Johnny não são o modelo que a família tradicional monstra/humana está acostumada, mas eles tem o único importante requisito para serem felizes, algo carinhosamente chamado pela dublagem brasileira de “tchan”. E desse “tchan” surge o fofíssimo Dennis: o herdeiro do sangue de vampiro, adorado pelos monstros do hotel, pelo vovô Drac e, é claro, pelos próprios pais. O curioso é que Dennis não tem poderes de vampiro, nem presinhas, nem nada de monstro. Ele é humano. Na verdade, meio-humano.

E o garoto está pra completar 5 anos, que é a “data limite” para que se saiba se ele é monstro ou humano. Como não surgiu nenhum indício de vampiro em Dennis, Drac fica psicótico, mas um psicótico hilário, de quem se acostumou a viver mais de duzentos anos ao lado da filha e que ainda planeja viver bem mais do que isso ao lado dela e de seu neto. Por isso ele surta quando Mavis cogita a possibilidade de se mudar com o marido e o filho para Santa Cruz, na Califórnia, uma cidade ensolarada bem longe da friorenta Transilvânia. O sentimento de mãe super-protetora de Mavis alarma que seu filho parece não se encaixar em um hotel cheio de monstros e que ele corre perigo estando ali.

Mas nem tudo são cruzes!

Drac tem o plano perfeito para fazer o pequeno Dennis brotar seu “vampiro interior” enquanto sua filha está longe, fazendo um “test-drive” na vida de um ser humano normal com a família sem noção de Johnny.

Ao longo do filme percebemos várias referências externas, que a maioria das crianças infelizmente não entenderá por causa da idade, e o roteiro de Adam Sandler parece não levar esse detalhe em consideração, mas que me fizeram rir até doer a bochecha, como a cena em que os monstros estão assistindo Crepúsculo, um marco no cinema, mas que até hoje ainda rende piada, principalmente na internet, algo que os seres de Hotel Transilvânia 2 parecem ter total domínio.

Outro ponto forte do filme é a trilha sonora. Tem horas que você não espera, e então surge uma música ótima, super animada. Inclusive, as meninas do Fifth Harmony fizeram uma canção exclusiva para o filme chamada “I’m In Love With A Monster” que aparece nos créditos, e que valem a pena ser assistidos tanto pela letra da música como quanto pelas animações, que são muito criativas.

Mas o foco principal de Hotel Transilvânia 2 é Dennis: um menino muito bonzinho que ama sua família e amigos acima de tudo e que, na sua inocência, ensinou lições importantes a velhos corações (velhos mesmo, só o bisavô dele tem mais de mil de anos).

Enquanto todo mundo tentava  fazer com que ele mudasse seu jeito para se encaixar, ele tratou, sem perceber, de ser aceito do jeito como ele é . Acredite, o fardo que o menininho de quatro anos carregava era o mais pesado de todos porque carregava a expectativa dos que estavam a sua volta.

“Quem está pronto para voar?” “Eu! Eu! Como um super-herói!” “Melhor! Como um vampiro!”

E não é todo mundo que lida bem com isso. Um dos pontos mais altos de Hotel é a estrutura da família híbrida de Dennis, tanto dos parentes monstros quanto dos humanos, e a pureza do garoto, que contagia  o público, fazendo com que nos perguntemos se levamos mesmo nossa própria família a sério.

Até aí estava tudo bem: filme hilário, universo com altas possibilidades, piadas, referências. Só que justo no fim, tudo converge para um resultado esperado. E finais esperados são esquecíveis. Pense naquela certa morte de Como Treinar o Seu Dragão 2, que até hoje estou tentando superar. O desfecho de Hotel foi o esperado, clichê, quando podia ter sido incrível.

Hotel Transilvânia 2 é um filme família, daqueles para você rir muito e se sentir renovado com a força de vontade de uma criança; e também para fazer você pensar que podem existir vários Dennis por aí tentando mudar para serem aceitos só porque são diferentes.

Quem escreveu

Alessandra Lino
Alessandra da casa Lino, Enésima de seu nome, Estudante de Engenharia de Computação, Senhora da chatice, Protetora dos gatos, Comedora de esfihas em dobro, Dona Autoproclamada da cadeira confortável da casa dela e Amante doente por animações que custa a acreditar que tem gente que acha que isso é só para crianças.
  • José Anchieta

    Pois taí, achei massa… só não sei se vejo no cinema mesmo. 😛 Talvez numa quarta lá no Benfica. euheuheueheuh

    • Alessandra Lino

      eheuhaeeaueaheh quartas-feiras no Benfica <3 haaha eu só vou nos dias baratos, sou pobre, cara. 😀 Obrigada pelo comentário! 🙂