Ouvindo o filme: Trilogia De Volta Para o Futuro

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♪♫♪ Pampammm – papammmm – pampamam – pampampam ♪♫

Chegamos ao ano mais aguardado pelos fãs da franquia De Volta Para o Futuro (Back to the Future). O jovem Marty McFly está entre nós. O ano de 2015 também marca os 30 anos de estreia do primeiro filme da trilogia, dirigida por Robert Zemeckis. Em 1985, a primeira parte da história, estrelada por Michael J. Fox e Cristopher Lloyd, foi o filme que mais vendeu ingressos no ano, foram U$ 380 milhões arrecadados nas bilheterias. E em 2008, De Volta Para o Futuro foi eleito, pelo Instituto Americano do Cinema (AFI), o 10º melhor filme de ficção científica americano.

A trilha sonora de De Volta Para o Futuro é, sem dúvidas, um de seus pontos fortes e isso se deve, principalmente, ao talento de Alan Silvestri. Alan é um compositor americano que começou a trabalhar com músicas para cinema e televisão ainda muito jovem, com 21 anos de idade ele compôs a sua primeira trilha para um filme. Ele tem em seu currículo muitos filmes premiados, como: Forrest Gump: O Contador de Histórias (Forrest Gump, 1994) e O Expresso Polar (The Polar Express , 2004).

A parceria entre Robert e Alan no filme Tudo por uma Esmeralda (Romancing the Stone, 1984) deu a Alan a chance de também fazer parte do filme seguinte (e dos seguintes) de Robert. O detalhe que podia ter impedido essa participação, foi o fato de que Steven Spielberg, produtor executivo do filme, não gostou da trilha sonora proposta inicialmente. Para resolver a situação, Alan compôs novas músicas mais longas seguindo o estilo usado em épicos e deu certo!

A banda de rock, blues e soul Huey Lewis and the News também tem participação fundamental no sucesso da trilha sonora. O próprio Steven (de novo ele) sugeriu que o grupo americano fizesse uma canção tema para o filme. Assim como aconteceu com Alan, a primeira tentativa fracassou, no entanto, a segunda resultou no enorme sucesso The Power of Love.

No primeiro filme, Alan compôs a música Back to the Future que se tornou o mote de quase toda a trilogia. Para o segundo e o terceiro filme, ele apresentou uma variedade maior de músicas, provavelmente porque teve mais tempo para compor (as partes II e III estrearam em 1989 e 1990, respectivamente).

Embora haja excertos de Back to the Future em muitas das outras músicas compostas por Alan, a variedade de ritmos e instrumentos utilizados na execução de cada uma delas as tornam peças únicas. Na parte III, por exemplo, a trilha dialoga perfeitamente com a ambientação do Velho Oeste. A percussão é bastante explorada, isso se torna mais perceptível nas cenas de ação onde os personagens estão em situações de tensão e risco. A gaita também é usada em alguns momentos fazendo referência a composições para filmes de faroeste típicos.

A parte I é um misto de músicas feitas especialmente para o filme e outras já consagradas. Além de The Power of Love, os News compuseram outra canção para a trilha: Back in Time. Como a primeira música não fazia nenhuma menção ao filme, a solução foi criar outra com referências explícitas. Então, Back in Time foi incorporada à trilha e à lista de hits memoráveis do cinema.

Uma das canções já famosas, das que foram utilizadas no primeiro filme, é Earth Angel cujo crédito da interpretação, no álbum oficial do filme, é dado a Marvin Berry and the Starlighters, a banda que toca no baile de formatura dos pais de Marty. A música, único sucesso do grupo The Penguins, foi gravada originalmente em uma garagem. Conta-se que o cachorro do vizinho foi o responsável pela gravação não ter sido feita em apenas uma tomada. A versão final foi a primeira em que o latido do cão não foi registrado. Apesar dos reveses, Earth Angel foi um grande sucesso de público. Além disso, em 2005, foi escolhida como uma das 50 gravações que seriam adicionadas ao Registro Nacional de Gravações da Biblioteca do Congresso Americano, por ser “culturalmente histórica e esteticamente importante”.

Johnny B. Goode, do aniversariante do mês, Chuck Berry (no dia 18 ele completou 89 anos), é outra das músicas consagradas que tocam no primeiro filme. A letra foi inicialmente inspirada em Johnnie Johnson, que era pianista de Chuck. Mas o próprio Chuck reconheceu que a letra é um tanto autobiográfica, e que ele teve que trocar, por exemplo, a expressão “colored boy” para “country boy” a fim de torná-la apresentável para as rádios. A composição ocupa a sétima posição no ranking das 500 melhores músicas de todos os tempos e a primeira no ranking das 100 melhores músicas de guitarra de todos os tempos, ambos mantidos pela revista Rolling Stone. Desde 1955, ano de seu lançamento, mais de 80 intérpretes já gravaram versões dela.

No segundo filme, a lista de músicas de outros artistas foi menor. Entre elas está Beat It, sucesso do álbum Thriller de Michael Jackson. A canção, que recebeu o prêmio Grammy de melhor gravação do ano de 1983, foi a primeira música a tocar simultaneamente em rádios para o público negro e para o público branco, nos EUA. Eddie Van Halen participa da gravação tocando os solos de guitarra, na música que foi o primeiro rock composto por Michael.

A canção Mr. Sandman, composta por Pat Balard e interpretada pelo quarteto de vozes The Four Aces, invoca o guardião dos sonhos do folclore nórdico quando Marty volta para o seu presente. Ela é parte da trilha sonora dos dois primeiros filmes. Uma curiosidade sobre ela é que Pat reescreveu a letra da música para o Natal, substituindo “Mr. Sandman” por “Mr. Santa”, o bom e velho, assim como tudo o que foi tratado aqui.

 

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Se você gosta de memorabilia, dê uma olhada nessa miniatura do Delorean.

Quem escreveu

Joamila Brito
Gosta de histórias fantásticas e ficção científica bem humorada. Assiste terror com moderação, pois nunca se sabe quando os fantasmas resolvem aparecer. E troca qualquer blockbuster por um filme gravado no interior do Brasil.