Teobaldo Morto, Romeu Exilado

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O título já é um aviso. Teobaldo Morto, Romeu Exilado, drama de Rodrigo de Oliveira (As Horas Vulgares), pega muito emprestado do teatro, desde seus diálogos espetaculosos até o enquadramento, que insiste (bem) em planos abertos dos quais os atores saem e voltam, muito como um palco e suas coxias. No entanto, talvez de um assento no teatro fosse mais fácil digerir os misticismos e signos presentes na obra, que parece bem dosada de realismo até que… não esteja mais.

João (Alexandre Cioletti) começa deixando pra trás a mulher grávida (Sara Antunes) e Dona Helena (Margareth Galvão), com quem claramente tinha um laço especial. Ele não quer ir, mas Flora insiste. E assim começa um longo período de isolamento de João em uma casa no interior do Espírito Santo. A conversa das duas mulheres toca em abandono e solidão (supostamente pela saída de João), mas também resgata a coragem delas.

Mas passados três meses, descobrimos que elas falavam de Max (Rômulo Braga), não de João. Filho de Dona Helena, ex-noivo de Flora e melhor amigo de João, o homem misterioso foi embora do Brasil sem deixar rastros, e assim acabou sendo dado como morto pela família. É quando Max visita João que a narrativa fica mais intrigante.

Infelizmente, o ritmo extremamente lento do roteiro de Oliveira não consegue segurar a curiosidade do espectador, e vai tornando o filme maçante. Muitos dos diálogos de Max e João são difíceis de acompanhar, dado nosso grau de conhecimento sobre o passado dos dois. Quando não estão conversando, o silêncio é sufocante, pois as ações mudas dos personagens pouco explicitam seus pensamentos e intenções.

Enquanto os segredos vão se revelando, elementos inseridos na narrativa pelo que parece ser um certo fetiche pelo impacto da imagem ganham espaço, e os problemas não resolvidos de João e Max são colocados em segundo plano. Em uma bela cena, eles trocam socos em uma área descampada, mas a briga não parece suficiente para que minutos depois eles estejam correndo e rindo na praia, em uma infantilização da relação, como se os dois tivessem voltado ao passado, voltado a ser crianças, quando ainda eram melhores amigos.

O terceiro ato traz mais viagens no tempo, além de fusões de personagens, aparições mitológicas, uma cena de sexo que só tem efeito político e mais uma série de simbolismos que não fazem mais do que deixar o espectador completamente perdido.

O tema da paternidade, que reaparece várias vezes no enredo e é ainda reiterado na dedicatória ao pai, é apenas tangenciado por Oliveira, já que, no restante do filme, João não parece tão preocupado com o nascimento do filho, como a primeira cena dá a entender.

Apesar das atuações justas, da beleza dos cenários e de uma qualidade técnica invejável, Teobaldo Morto, Romeu Exilado falha em prender a atenção o suficiente para que tenhamos vontade de elaborar uma interpretação para o mundo de fantasia que invade o desfecho da história. Se o drama familiar do início é tão interessante quanto o de Romeu & Julieta, falta astúcia para investir em um fim igualmente relevante, porque, afinal, vale a pena tratar de Shakespeare quando somos mais afeitos aos contos de fada?

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Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Também tem coisa minha lá no Séries do Momento. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.