Invencível

5

 

Invencível é uma adaptação de Unbroken: A World War II Story of Survival, Resilience, and Redemption, livro escrito por Laura Hillenbrand, que conta a história do atleta olímpico Louis Zamperini (Jack O’Connell), um homem que, após entrar para o exército e sofrer um acidente de avião, fica à deriva no mar por mais de 40 dias.

O roteiro foi dividido entre Richard La Gravenese, William Nicholson e os talentosos irmãos Coen, conhecidos por criarem roteiros elaborados e que quebram sempre a expectativa com seu humor negro afiado e uma espécie de casualidade tragicômica. No entanto, o enredo do filme, firmado na narrativa do livro – essencialmente didática e melodramática – não fortalece a agilidade narrativa do longa-metragem,assim como não explora a densidade possível do seu protagonista, focando somente em sua personalidade enquanto mártir de guerra.
4

A fotografia colabora imensamente para o clima do filme, dando toda a textura necessária da época, sem tirar o brilho da narrativa, coisa bem comum nas composições de Roger Deakins – talvez o diretor de fotografia de maior renome da atualidade. Deakins tem uma longa parceria com os irmãos Coen e já assinou diversos dos seus trabalhos, o que parece justificar sua participação nesse projeto. E como não deixaria de ser, Invencível tem planos esteticamente muito caprichados, como, por exemplo, a cena em que o exército americano bombardeia a base onde Louis Zamperini se encontra.

A abertura inicial e os efeitos sonoros são bem atmosféricos e o senso de urgência da batalha aérea é captado com destreza pela diretora e atriz Angelina Jolie. No entanto, pouco depois, o filme se entrega a um tom que mais parece saído de um livro de autoajuda. O caráter piegas adotado, unido aos diálogos recheados de frases de efeito, estragam até mesmo os bons momentos do longa.

Unbroken

Fora isso, a diretora ainda faz questão de fazer um paralelo entre Louis Zamperini e a figura de Jesus, reforçando a analogia cristã com diversas poesias visuais, como na quando Louis é obrigado a erguer uma tora de madeira e, em sua sombra, o espectador vê Zamperini como Cristo segurando a cruz. Essas mesmas analogias se repetem até o ponto no qual o general japonês Mutsushiro Watanabe (Miyavi), uma espécie de vilão torturador unidimensional, obriga todos os prisioneiros da base a golpearem Louis no rosto repetidas vezes. E o que seu protagonista faz? Literalmente dá a outra face.

Com a quantidade de pessoas talentosas envolvidas nesse projeto, é justificada a empolgação de alguns colaboradores. Porém, Angelina Jolie não se mostra tão promissora: Invencível é um filme convencional e um drama excessivamente sentimental sobre superação. Não bastasse tanta melodramaticidade e o processo de redenção risível, Jolie coloca um epílogo que não é possível expressar em outras palavras se não “cinematograficamente brega”. Um trabalho problemático que rlete a falta de maturidade de sua diretora.

2

Quem escreveu

Patrick Martins de Carvalho
É apaixonado por cinema, sobretudo o oriental. Jamais faz hierarquia de gênero. Assiste de tudo, de cinema clássico americano à trasheira de cinema B, C e D. Atualmente cursa filosofia com foco em áreas distintas como teoria crítica, filosofia antiga e cinema. Além disso, tem uma página de tirinhas online em que publica histórias curtas sobre o cotidiano, sonhos e memórias. Metade do tempo está tendo overdose de conhecimento em fim de semestre e na outra metade sendo um velho rabugento.