Uma Noite no Museu: O Segredo da Tumba

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Enquanto a trilogia Uma Noite no Museu, dirigida por Shawn Levy, foi uma espécie de salvação para a carreira de Ben Stiller, que já estava prestes a tomar o lugar de Adam Sandler como o rei do dedo podre, pouco se pode dizer a respeito da importância da obra como um todo. Mas por uma triste coincidência, o adeus à Robin Williams acaba dando ao adeus aos personagens uma energia especial – que talvez eles não merecessem.

Uma Noite no Museu: O Segredo da Tumba, começa em uma cena à la Indiana Jones em 1938, quando um garoto cai em um buraco em um sítio arqueológico e encontra a relíquia que o grupo de arqueólogos liderados por seu pai procuravam: a tábua de Ahkmenrah. Desnecessário e sem muita conexão com o que se segue, o fragmento só vai fazer sentido bem adiante no filme, o que atrapalha o ritmo de progressão da história.

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De volta ao presente, o guarda noturno Larry (Stiller) agora também é chefe da programação noturna do Museu de História Natural de Nova York, que oferece espetáculos nos quais as atrações ganham vida, supostamente por meio de efeitos especiais. Mas quando os personagens começam a agir de forma estranha durante um evento de gala, Larry é avisado por Ahkmenrah (Rami Malek) que a indisciplina tem a ver com uma antiga profecia que prometia o fim da magia, iniciada pela corrosão da tábua.

Para saber mais sobre a profecia, a única forma de salvar os personagens do enrijecimento eterno, Larry resolve ir a Londres com Ahkmenrah para encontrar os pais do faraó (Ben Kingsley e Anjali Jay), que estão exibidos no Museu Britânico. Na Inglaterra, ele se reúne também com os já conhecidos presidente Theodore Roosevelt (Robin Williams), os pequeninos, cowboy Jedediah (Owen Wilson) e o romano Octavius (Steve Coogan), o guerreiro Átila (Patrick Gallagher), o macaco Dexter (Crystal, a capuchinho), a índia Sacagawea (Mizuo Peck), um ancestral antigo do guarda, o neandertal Laa, vivido pelo próprio Ben Stiller e o filho Nick (Syler Gisondo).

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Em relação aos filmes anteriores, as cenas de ação deixam a desejar, mas ainda é divertido ver Larry apanhando de um dinossauro e Jed e Octavius fugindo das lavas do vulcão em uma miniatura de Pompéia. A premissa do filme, no entanto, é estranha: a confusão que Larry e seus amigos causam destroem boa parte dos museus, quebrando vidros, lustres e paredes, mas em uma inversão absurda, é o guarda que pede sua demissão, ao se responsabilizar pelo que aconteceu no jantar de gala, como se a dispensa não fosse iminente.

No Museu Britânico a turma conhece novos personagens, alguns não tão confortáveis com o fato de estarem ganhando vida pela presença da tábua. A maior adição ao elenco fica por conta de Dan Stevens no papel de Lancelot, um cavaleiro que servia ao Rei Artur e acredita que a tábua seria o Santo Graal. Stevens traz em sua atuação o frescor que garante alguns dos melhores momentos de O Segredo da Tumba, como um duelo dentro de Relatividade, um desenho de M.C. Escher, e um pequeno acidente com a cera com qual é feito seu nariz, que também sofre os efeitos da corrosão da placa.

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Rebel Wilson também chama atenção (como não chamar?) pela guarda noturna do Museu Britânico, Tilly. Seu jeito espontâneo e exagerado a coloca em antítese com Larry, mas em sintonia com Laa, o que garante momentos hilários. Além de Wilson, Hugh Jackman em uma aparição como ele mesmo em um teatro em Londres coroa o humor do filme, assim como sua conexão com a realidade. Outros detalhes também fazem essa ponte, como o vício de Nick em League of Legends, uma colega de Larry que adora Candy Crush e o encanto de Jed e Octavius por vídeos de gatos no YouTube. Apesar do misticismo do museu, O Segredo da Tumba tenta o tempo todo se ancorar no nosso mundo, uma escolha no mínimo duvidosa dos roteiristas David Guion e Michael Handelman.

Com um enredo sem grandes sofisticações, Levy consegue pôr um fim às aventuras de Larry, sem no entanto fechar completamente as portas para uma continuação em solo britânico. Dado o conjunto, o final é satisfatório, mas parece pesar o fato de que, mesmo sem ter marcado sua carreira, o personagem de Robin Williams se despede também de todos nós quando se despede de Larry. Um adeus que marcará mais que o da trilogia Uma Noite no Museu.

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Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.