Ouvindo o filme: Lisbela e o Prisioneiro

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Existem filmes que não seriam os mesmos sem a força da trilha sonora. Tais trilhas se destacam, algumas vezes, porque contam com compositores ou intérpretes famosos, outras vezes pelas próprias composições já conhecidas que ganham uma nova roupagem ou o encaixe perfeito com a trama. Lisbela e o Prisioneiro (2003) é uma tradução livre de um filme com uma trilha sonora ostentadora das 3 características e mais alguma coisa.

André Moraes e João Falcão aliaram suas expertises para agraciar os espectadores com uma combinação bem dosada entre canções populares e composições feitas especialmente para o longa-metragem. André é músico de formação clássica com experiência em música popular e se tornou um produtor musical requisitado. Compôs trilhas para vários longas e curtas brasileiros, como Assalto ao Banco Central (2011) e Meu Tio Matou um Cara (2004). João é compositor, diretor e roteirista de teatro, cinema e TV, conhecido pelos roteiros de Sexo Frágil (2003) e O Auto da Compadecida (1999), dentre outros.

André e João escolheram músicas que deram ao filme algo que não se ouve em qualquer sala de cinema. A música tema de Lisbela (Débora Falabella) e Léleu (Selton Mello), Você não me ensinou a te esquecer, concorreu ao prêmio de melhor canção no Grammy Latino de 2004, mesmo tendo sido composta ainda na década de 70 por Fernando Mendes. O intérprete da vez foi Caetano Veloso que com os arranjos de André e João honrou a música de Fernando, que também flertara com prêmios na época de sua composição.

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Como se Caetano não fosse o bastante, Elza Soares interpreta (ou melhor, encarna) a música Espumas ao vento, grande sucesso, anteriormente, na voz e violão de Fagner. Elza, com a sua voz arrebatadora, consegue tornar Inaura (Virginia Cavendish) ainda mais intensa. Outra canção que merece um destaque especial é O Matador, composta para o filme pela dupla André e João e interpretada por nada mais nada menos que a banda Sepultura. O metal da banda não foi poupado, nos momentos mais densos de Frederico Evandro (Marco Nanini) os acordes do grupo estão lá para não deixar dúvidas sobre as intenções do “cabra matador”.

As outras faixas musicais de Lisbela e o Prisioneiro não ficam devendo nada a ninguém. A Dança das borboletas, tema de Léleu, foi composta pelos parceiros Zé Ramalho e Alceu Valença e interpretada pelo próprio Zé em conjunto com a banda Sepultura. A Dama de ouro, música de Maciel Melo, ganhou a voz do ator e cantor Zéu Britto, a canção é tema dos encontros entre Francisquinha (Lívia Falcão) e Cabo Citonho (Tadeu Mello).

Para o diabo os conselhos de vocês foi composta por Carlos Imperial especialmente para a trilha do filme. A canção foi gravada pela banda Os Condenados, que foi criada apenas para interpretá-la, Clarice Falcão (então com 13 anos de idade) era a vocalista. A Deusa da minha rua, composta no ano de 1939, que eu arrisco apontar como a mais lírica da trilha do filme, foi gravada pelo cantor Geraldo Maia e o violonista inigualável Yamandú Costa.

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Caetano voltou a cena para regravar a música americana Oh, Carol!, tema de Lisbela e Douglas (Bruno Garcia), desta vez repetindo uma parceria com Jorge Mautner, que já tinha acontecido no ano anterior (2002) no disco Eu não peço desculpa. Lisbela é mais uma homenagem à mocinha da trama, a música de Caetano foi gravada pela banda Los Hermanos.

André e João foram extremamente felizes mais uma vez quando ofereceram no finalzinho do filme a música Amor é filme, tornando assim a leitura dos créditos uma tarefa no mínimo prazerosa. A voz da canção é de Lirinha, que em 2003 ainda era vocalista do grupo pernambucano Cordel do Fogo Encantado. E se amor é filme ele também é música, sendo assim música é filme e vice-versa.

 

Onde encontrar a trilha

Na página Discos do Brasil você encontra a ficha técnica do álbum e ainda pode ouvir todas as faixas.

 

Quem escreveu

Joamila Brito
Gosta de histórias fantásticas e ficção científica bem humorada. Assiste terror com moderação, pois nunca se sabe quando os fantasmas resolvem aparecer. E troca qualquer blockbuster por um filme gravado no interior do Brasil.