5 games para viciar um cinéfilo

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Até hoje, muitos consideram vídeo games e cinema uma péssima combinação. Apesar do sucesso de algumas das adaptações com os fãs dos jogos – como a franquia Resident Evil -, nenhum filme originado de um vídeo game teve sucesso com a crítica. Nem mesmo atores do escalão de Angelina Jolie e Mark Wahlberg foram capazes de impedir o fiasco de filmes como Lara Croft: Tomb Raider e Max Payne.

Mas isso não significa que estes dois mundos não estejam cada vez mais próximos. Os vídeo games têm recebido cada vez mais a colaboração de profissionais da sétima arte, como Ellen Page e Guillermo del Toro. Os consoles modernos (como Xbox One e Playstation 4) estão não só substituindo os aparelhos de DVD e Blu Ray, como também oferecendo filmes e séries para serem assistidos online. O fato é que, cada vez mais, o público cinéfilo está se aproximando do mundo dos games; e os gamers, do mundo do cinema.

Se você ainda não tem o costume de jogar vídeo games, essa lista é pra você. Talvez você não ache que jogos possam ter bons enredos. Talvez você ache que jogos são complicados. Talvez você ache que jogos são demorados. Com todas essas coisas em mente, aqui vão recomendações para aqueles que desejam tentar uma nova forma de entretenimento.

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Heavy Rain

Quando se fala na combinação de filmes e games, não se pode deixar de falar em David Cage. A paixão do escritor e diretor por essa mistura é tão grande que seu último trabalho, Beyond: Two Souls, contou com a atuação de William Dafoe e Ellen Page no papel de protagonistas. Heavy Rain, seu maior sucesso de crítica, foi vencedor de três prêmios BAFTA em 2010, incluindo o de melhor história.

O game trata do sequestrador e assassino em série conhecido como Origami Killer sob a ótica de 4 protagonistas, que se alternam ao longo das cenas e apresentam a narrativa sob diferentes pontos de vista: Ethan Mars é o pai da vítima mais recente do criminoso, o garoto Shaun; Scott Shelby é um investigador particular contratado pela mãe da vítima anterior a Shaun; Norman Jayden é um agente do FBI especialista em serial killers; e por fim, Madison Paige é uma jornalista que também está investigando o assassino.

Os jogos de Cage são o que mais se aproximam de um cinema interativo no mundo dos games. O jogador toma as decisões dos protagonistas, faz as investigações no papel dos detetives e direciona os diálogos. As cenas se tornam particularmente interessantes quando há o encontro de dois ou mais protagonistas, pois o jogador precisa tomar decisões que afetam ambos os personagens.

Se você gosta de filmes policiais e não quer um jogo que exija muita coordenação do jogador, Heavy Rain é a opção perfeita.

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Silent Hill 2

Quem não conhece os jogos da franquia, estar pensando “mas já saiu um segundo filme do Silent Hill e é muito ruim!”. E você está certo. Mas, na verdade, o segundo filme, Silent Hill: Revelations, foi inspirado pelo terceiro jogo da série – que é uma continuação da história do primeiro game, o qual foi a referência para o primeiro filme.

Silent Hill 2 não tem nenhuma ligação com o enredo dos filmes ou do jogo original, exceto que ambos se passam na mesma cidade assombrada. Apesar de ficar deslocado na série, o game foi considerado pelo canal de tevê G4, especializado em games, como um dos 100 melhores jogos de todos os tempos em 2012, por conta de seu enredo de deixar qualquer um de queixo caído.

A história começa quando James Sunderland recebe uma carta de sua esposa, Mary, dizendo que ela lhe aguarda em Silent Hill, onde o casal passara férias há 3 anos. Apesar de sua esposa ter falecido muito antes de James ter recebido a carta, o protagonista apaixonado e esperançoso vai ao encontro de Mary. Ao chegar em Silent Hill, o jogador se encontra com uma cidade abandonada. Durante a busca pela esposa, James conhece Maria, uma moça fisicamente semelhante à Mary, mas com uma personalidade completamente diferente. Cabe ao protagonista descobrir até onde tudo isso é apenas coincidência.

O jogo oferece uma opção bastante conveniente aos iniciantes: ele permite reduzir a dificuldade do combate sem alterar a dificuldade dos enigmas (e até aumentar a dificuldade, para aqueles que gostam de quebrar a cabeça). Se você gosta de filmes de terror, esqueça os filmes dessa franquia e parta logo para os jogos!

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Bioshock

O diretor de games Ken Levine pode não ter a mesma inclinação ao cinema que David Cage, mas, sem dúvidas, sabe conduzir uma história tão bem quanto. Toda a franquia Bioshock recebeu diversos prêmios de Jogo do Ano, e pelo menos um dos três está sempre presente em qualquer ranking de “melhores roteiros da história dos games”.

O primeiro game conta a história de Jack, o único sobrevivente da queda de um avião em alto mar. Ao buscar ajuda, Jack encontra uma passagem para Rapture, uma cidade submersa, construída pelo magnata Andrew Ryan para ser livre de qualquer governo e permitir que o progresso se expanda sem limitações. Através de um rádio, ele conhece Atlas, que teve sua família sequestrada por Ryan, e concorda em resgatá-los em troca de ajuda para retornar aos EUA.

O jogo não se destaca só pelo roteiro, mas também pela ambientação. A cidade de Rapture possui um equilíbrio incrível entre a beleza do oceano e a claustrofobia de estar abandonado em uma cúpula de vidro. Apesar de se passar nos anos 60, o jogo possui forte influência da cultura steampunk (comumente traduzido como “punk-vapor”), fazendo com que tudo pareça mais antigo, mais rústico – e por consequência, mais clássico e elegante.

(O segundo jogo da franquia, Bioshock 2, é continuação direta do primeiro game, então não jogue antes dos outros!)

Já o terceiro game, Bioshock: Infinite, conta a história do detetive particular Booker DeWitt, contratado para resgatar Elizabeth em troca do pagamento de suas dívidas de apostas. DeWitt é levado a Columbia, uma cidade flutuante, onde a elite apoia o líder religioso Comstock, venerado por suas premonições. Entre as previsões do profeta está a chegada do “falso pastor”, que é o próprio Booker DeWitt. Quem é Comstock? Como ele sabia da chegada de DeWitt? Por que Elizabeth é importante para ele? A trama de Bioshock: Infinite se desenrola de forma brilhante, apresentando ao jogador diversas meias-respostas, deixando-o mais esclarecido e mais confuso ao mesmo tempo.

Columbia tem a mesma ambientação de alto nível de Rapture, mas troca os corredores fechados por alturas gigantescas, de forma a deixar o jogador igualmente tenso. O jogo também mantém o mesmo estilo steampunk dos primeiros, o que – somado ao céu aberto que a rodeia – garante à Columbia uma beleza única.

Em geral, jogos de primeira pessoa (em que o jogador literalmente vê através dos olhos do protagonista) são mais amigáveis de se jogar no computador. É mais fácil controlar o personagem usando teclado e mouse ao invés de um controle de vídeo game. Se você não está acostumado com esse tipo de jogo, é recomendável jogar em uma dificuldade mais baixa.

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Uncharted

Para quem não conhece esta franquia, ela pode ser resumida assim: Nathan Drake é o Indiana Jones do mundo dos games. Se você gosta de um arqueólogo bonitão mandando bala mundo a fora, não jogar Uncharted é, no mínimo, um crime. Todos os jogos da série receberam o Jogo do Ano, e até hoje são considerados como os melhores jogos da sua geração por parte da crítica.

Em Uncharted: Drake’s Fortune, Drake e seu inseparável (e divertido!) amigo Sully viajam para a América do Sul em busca da cidade perdida de El Dorado. Em Uncharted 2: Honor Amoung Thieves, a dupla encontra anotações do viajante e comerciante Marco Polo, e partem em busca da cidade perdida de Shambhala. Em Uncharted 3: Drake’s Deception, é contado um pouco mais do passado de Nathan e Sully, enquanto os aventureiros partem rumo a uma cidade perdida conhecida como a “Atlântida das areias”. Os games tem muito pouca relação entre eles, então não é necessário se preocupar com a ordem de lançamento.

Os jogos mesclam cenas de aventura e exploração com lutas e tiroteios, de forma a não ficar repetitivo para o jogador. Apesar disso, é importante ressaltar que os Uncharted costumam ser um pouco mais longos que os outros jogos dessa lista, e talvez você não consiga terminá-lo em só um dia.

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To the Moon

Já falamos de suspense, já falamos de ação, já falamos de terror… nada mais justo do que encerrar com um drama, não? To the Moon é facilmente uma das histórias mais lindas já contadas por um jogo de vídeo game – se você tem coração mole, prepare já o seu lencinho.

O game acompanha um casal de médicos, especialistas em manipular memórias, que trabalham realizando os últimos desejos de pacientes terminais. Ao serem contratados pelo idoso John, os doutores Wyatt e Roseleane viajam ao longo das memórias do paciente, com a missão de transformá-lo em astronauta e concretizar o seu sonho de conhecer a lua.

A beleza do jogo está na interação entre as lembranças de John e a reação de Wyatt e Roseleane. O que inicialmente era apenas trabalho acaba se misturando com os sentimentos dos médicos, que passam a questionar suas próprias decisões à medida que conhecem cada vez mais a vida de John.

To the Moon é um jogo particularmente fácil e curto, o que o torna uma ótima opção para quem está entrando no mundo dos games e está mais preocupado com uma boa história do que com o jogo em si.

Quem escreveu

João Pedro Almeida
Jogador de vídeo game, blogueiro em sites de jogos de tabuleiro, e bancário nas horas vagas. É fã de filmes policiais, suspense e ação, e acha que Os Mercenários merecia um Oscar. Também assiste Changeman e Chaves até hoje, e está em eterno luto por Roberto Bolaños.