Deus Não Está Morto

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Apesar do esforço em manter Hollywood como um lugar onde aquele que não pode ser nomeado é justamente Ele, a indústria americana vem bombardeando o público, como nunca antes, com épicos bíblicos e a presença de Satã em carne e osso. Deus Não Está Morto não é nem um, nem outro, mas, de certa forma, engrossa a mesma lista. A pequena produção inicia propondo um debate sobre a existência de Deus, mas termina fazendo campanha.

Estranhamente, esse é um dos poucos tópicos que o cinema americano ainda não visitou com maestria. Faltam filmes que toquem na polêmica pelo bem da própria discussão, como o clássico sueco O Sétimo Selo, ou até o recente belga Alabama Monroe.

A trama do diretor americano Harold Cronk (que tem vários filmes religiosos no currículo) foca no estudante de Direito Josh Wheaton e na batalha que o jovem cristão trava contra o professor ateísta (e antiteísta) Jeffery Radisson, no primeiro dia de universidade. Quando o professor de Filosofia pede que os alunos poupem seu tempo e escrevam “Deus está morto” em uma folha de papel, Josh não vê alternativa, a não ser tentar provar o contrário, na frente de toda a sala. Apesar de saber que métodos tão extremistas teriam provocado problemas bem antes da aparição de Josh, somos atraídos pelo conflito entre os dois, já que o assunto tem potencial para gerar um embate caloroso e bem armado, no estilo do melhor drama de tribunal.

Mas basta mais alguns minutos de filme para termos certeza de que não será por aí. O dançarino Shane Steven Harper e o veterano Kevin Sorbo, ambos cristãos comprometidos, encarnam os papeis principais com uma convicção que claramente extrapola os sets. Ainda completam o time religioso participações especiais de Willie Robertson e sua mulher, do reality show Duck Dynasty, e da banda de pop rock gospel Newsboys, todos como eles próprios, indícios claros dos rumos da discussão.

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Está enganado quem pensa que as brigas entre ateus e crentes não costumam chegar a vereditos unânimes. Como mencionado nos créditos, os roteiristas Cary Solomon e Chuck Konzelman (também adeptos do cinema cristão) acharam inspiração nas dezenas de entidades religiosas que reafirmaram, por meio de guerras judiciais, o direito de disseminar suas crenças nas universidades americanas.

E é justamente em um “tribunal” que a sala de aula do curso de Introdução à Filosofia é convertida Josh defende um Deus que supostamente precisaria de advogado, o professor assume o papel de promotor e os alunos compõem o júri. A essa altura, já era de se esperar que os jurados decidissem a favor do réu.

Para dar volume ao roteiro, vários outros personagens não muito convictos da existência de um ser superior têm suas (des)crenças testadas ao passar por problemas pessoais. A blogueira Amy (Trisha La Fache) descobre que tem câncer e, diante do diagnóstico, responde ironicamente: “Eu não tenho tempo para o câncer”, enquanto seu namorado, o insensível Mark (Dean Cain), se recusa a lidar com a mãe, que sofre de demência. No mundo preto e branco de Cronk, quem não acredita merece sofrer.

De volta ao campus, na mesma cafeteria que Josh frequenta está a estudante mulçumana Ayisha (HadeelSittu), que é obrigada a encenar sua fé na frente do pai conservador, mas só espera o carro dele sumir para esconder a burca na bolsa e ouvir gravações do I Coríntios em seu IPod. A história de Ayisha, aliás, se desenrola como um ofensivo e caricato retrato do islamismo como a única religião intolerante às outras crenças. Outro colega de Josh, o intercambista Martin, chega de uma China majoritariamente agnóstica para desafiar o pai e se convencer da existência de Deus. O time dos confusos se completa com Mina (Cory Oliver), a namorada abusada verbalmente pelo professor tirano. A conexão entre os personagens principais se dá pelo reverendo Dave (David A. R. White), que não consegue fazer o carro pegar de forma alguma (Deus?), mas repete o mantra “Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom” simplesmente, e completamente sem sentido, o tempo todo.

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O que poderia ser uma discussão interessante, vira, logo no primeiro ato, uma chuva de insultos e argumentos falaciosos, vindos dos dois lados. As referências aos maiores entusiastas do assunto parecem estar no filme apenas com propósito verborrágico. Os mais famosos ateus do mundo, Richard Dawkins e Stephen Hawking são ridicularizados – e supostamente desmascarados – com uma curta frase do professor teísta John Lennox. As exposições, tanto de Josh quanto do professor Radisson, se tornam uma coleção de sentenças soltas ditas por pensadores em contextos bem definidos, mas utilizados em sala como fracos slogans de ceticismo ou credulidade.

Convenientemente, quando o professor é colocado na parede pela primeira vez, cai em uma armadilha velha e tola, e assim o filme parece sugerir que a única razão possível para ser um incrédulo convicto é ter sido vítima de uma tragédia pessoal. Acreditar seria uma consequência lógica das evidências científicas, mas não acreditar seria pura falta de estabilidade emocional. A caracterização do dilema entre o bem e o mau é tão estereotipada que Radisson é construído na medida certa para que mesmo os mais descrentes admitam que ele é um babaca.

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Se somos convencidos de alguma coisa, é de que a turma de Introdução à Filosofia é composta por mentes vazias e facilmente domináveis. Se no primeiro momento os alunos não desconfiam da metodologia condenável do professor e aceitam a ordem de registrar a não existência de Deus, sem nenhum questionamento, quando eles mudam de ideia, fica claro que o crédito não iria para as pequenas palestras de Josh, mas para uma vontade descabida de fazer parte do show armado pelos dois. A existência de Deus não passa nem perto de ser provada por seu advogado, porque Ele trabalha muito bem sozinho, se materializando em forma de milagres e dando razão à fala “Isso é motivo de celebração”, dita – que mórbido – por alguém que se encontra ao lado de uma pessoa morta.

Problemas de execução – como cenas de dia e noite intercaladas quando a ação deveria ser simultânea, ou erros de continuidades – são defeitos menores, e muitas vezes desprezíveis, quando se tem um bom enredo em jogo. Mas, neste caso, com um roteiro pobre e tendencioso, argumentos que não se sustentam, e uma boa ideia jogada no lixo, estas mazelas só evidenciam a falta de cuidado ou de talento, duas ausências que constantemente sentenciam os envolvidos a queimarem nas profundezas do esquecimento hollywoodiano.

Ao defender a tese final de que os ateus são desprovidos de qualquer juízo moral e, portanto, merecedores de destinos trágicos, Deus Não Está Morto também traça seu destino:  uma catástrofe. Não de bilheteria, dado que a obra já reina entre os filmes do gênero, mas de crítica, de gosto, de Cinema.

Se o filme cair nas graças dos religiosos extremistas simplesmente por vomitar a mesma propaganda que eles, provavelmente falhará em qualquer tentativa de convencimento dos indecisos. Aos cristãos críticos, que certamente em algum momento de sua vida pensaram na questão, a obra se apresentará como um desfavor à causa, tamanho desleixo de um roteiro que não se sustenta em seus argumentos. E para os ateus, Harold Cronk entrega um presente: se Deus não estava morto, agora está.

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Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Também tem coisa minha lá no Séries do Momento. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.
  • Anônimo

    O filme é bom ele é virado para o publico evangélico e está muito bem feito, pois as pessoas tem a mania de criticar tudo que vem do evangélico musica, filme, programas e esquecem que no mundo
    existe muita coisa pior filmes de homossexualismo, prostituição, mortes estupro etc… quem fica contra um filme bom como este é porque não tem Deus no coração.

  • Anônimo

    O filme é bom ele é virado para o publico evangélico e está muito bem feito, pois as pessoas tem a mania de criticar tudo que vem do evangélico musica, filme, programas e esquecem que no mundo
    existe muita coisa pior filmes de homossexualismo, prostituição, mortes estupro etc… quem fica contra um filme bom como este é porque não tem Deus no coração.

  • O filme é bom, não pera..É ÓTIMO 😉 ele me fez parar e perceber…será que você deixaria tudo pra traz e faria o que Deus te pede ? Não é só uma resposta para a questão:”Deus existe ou não ?” é, como eu disse, uma pergunta também “você iria abondonar Deus pelas coisas deste mundo ou iria ficar com Ele” e outra coisa..sim o filme termina com uma campanha, maaaaas voc~es viram como foi no filme quando eles fizeram aquilo ??? Foi lindo e foi um modo de pregar o evangelio 🙂 “Por isso diz: Desperta, tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá.” Efésios 5:14

  • Aline Sodré e Silva

    Olá Diana! É interessante sua crítica aos cristãos acusando-os de estereotipar todos aqueles que escolhem pensar diferente, quando você faz o mesmo referindo serem religiosos. Você conhece todos os cristãos? É sabedora das posições de cada cristão que há sobre a face da terra? E por último, se o que os cristãos dizem ou fazem é pura religiosidade e que não deve ser levado a sério por que te incomoda tanto? Aquilo que não tem relevância a gente ignora, certo? Agora, pra que o seu comentário seja minimamente coerente experimente não reproduzir um comportamento que você repudia, caso contrário torna-se contraditório. Desejo-lhe tudo de melhor!

  • Sou ateu, e achei uma bela obra, embora cheia de clichês… Só não consigo digerir tanto ódio contra o filme, que apenas expõe o ponto de vista cristão. Assisti e verei de novo.

  • Anônimo

    Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom! ” Porque Deus enviou seu filho ao mundo não para que condenasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele” Evangelho de João cap. 3 versículo 17.

  • Hial

    Uma boa discussão sobre religião se consegue através da proposta feita por um ateu cuja mãe era descrente. Não teve, ao contrário do professor do filme, influência religiosa durante a infância. Seu texto é muito elogiado nos comentários postados. Inclusive por crentes convictos. http://direitasja.com.br/2012/04/07/por-que-eu-nao-sou-um-neo-ateu/

  • Fabiano

    A palavra é semeada, façamos a nossa parte pois quem convence o homem do pecado é o Espirito Santo de Deus, para nos é sinal de salvação mas para muitos um passo para condenação se contente em pregar e anunciar o evangelho de Cristo..

  • Irla Fraga

    E continuo a dizer…Deus é bom o tempo todo, o tempo todo Deus é bom!! E isso é verdade TODOS os dias da minha vida!!!!

  • Anônimo

    A questão aqui não é quem está certo ou quem está errado, procurando assim um culpado. O objetivo desse filme é levar a verdade; e só existe uma verdade. Deus é a verdade! E Ele O é, independente de creiam ou não, Ele é auto-suficiente. Não precisa que ninguém o defenda, Ele é a própria liberdade! O objetivo do aluno não era defender Deus, mas sim despertar aquelas pessoas para a verdade, esse também é o objetivo de Deus. Quando Ele diz: O meu povo perece por falta de conhecimento, Ele se refere ao conhecimento espiritual. e não ao conhecimento humano, e estão sendo cegas pela propria vaidade; do quem sabe mais ou quem tem mais verdades, isso não levará ninguém a lugar nenhum.
    Jesus é o unico caminho! E essa verdade só se discerne através do Espírito!
    Deus não está morto!!!!

    • Anônimo

      Muito bem! boa argumentação, sei que não vem de vós, mas, daquele que habita em vós.

  • Juliane Alves

    Não sei como pessoas possam imaginar a criação do mundo vindo de outro lugar, olhem ao redor isso provém de um ato Divino, o que colhemos é consequência dos nossos próprios atos, temos liberdade para escolher, e eu creio que Deus enviou seu filho Jesus(100%homem e 100%Deus) para morrer na cruz pelos meus pecados, como diz a minha avó quem não crê pelo amor, talvez crerá pela dor, e aos que não creem peço a Deus que tenham misericórdia de vossas vidas, pois suas mentes são vazia assim como o coração vazio sem amor e sem fé. (João 3:16)

  • VNC

    O professor não era ateu, assim como Hial disse, porem ele negava Deus perante as outras pessoas, assim o filme o coloca como um vilão ( mesmo no fim sendo a vitima ), e deixando a entender de forma generalizada que todos os ateus( ou quem vai contra Deus) vão todos ter um fim terrível.Alguns dos argumentos do aluno são interpresantes mas eles procurar sempre atacar as falhas das criticas feitas as religiões, seria mais interessante se ele contra criticasse com as virtudes morais “superiores” da religião, assim o filme ganharia o argumento de que ateus são moralmente inferiores, porem não é isso que acontece.

  • Hial

    O professor não é ateu. Ele acredita que Deus lhe tirou a mãe quando era criança. A vingança do falso ateu é forçar seus alunos a confessarem que Deus está morto. Ao invés de argumentar com os verdadeiros ateus o filme tenta reconquistar os crentes que estão perdendo a fé. Apesar de tudo os argumentos científicos e filosóficos do aluno teísta são sensacionais. Pena ele não ter um ateu para discutir.

    • Anônimo

      Dado que os pais ensinam as crianças a “crerem em Deus”, então todos os ateus um dia creram. E em algum moemnto da vida deixaram de cre, seja la por qual motivo tenha sido.

      • Fernanda Marques

        Tenho família paterna e materna cristãs. Fui educada no meio e me lembro desde pequenininha ter minhas dúvidas em relação à Deus e outras partes relacionadas ao cristianismo, porém não tinha coragem de falar nada para ninguém pois me foi ensinado que o “certo” era crer em Deus, logo achava que eu estava errada. Apenas quando me tornei adolescente busquei conhecimento por conta própria e percebi que não era nada errado não crer. Enfim, meu ponto é: ninguém acorda ateu/agnóstico.

  • Vinicius

    Ótima critica, o filme diminui os ateus a pessoas imorais enquanto os teístas são a pefeiçao em pessoa, o final é um grande exemplo da mensagem ridícula do filme pois enquanto os cristoes festejam por terem a graça de Deus, o descrente tem o fim “merecido” por quem não aceita as palavras de Jesus, Deus esta vivo ele lamenta por este filme.

  • Anônimo

    É bem provável que vc viva em profunda depressão e amargura, oro a Deus e peço a Ele que tire toda essa dor que esta dentro de você! #Deusnãoestamorto

    • Religiosos (sim, cristãos evangélicos são religiosos pois seguem e cultuam uma entidade metafísica e tem um livro sagrado) e sua mania de repetir (como papagaios) que qualquer sinal de descrença ou mesmo de SENSO CRÍTICO que bata de frente com sua ideologia tem a ver com depressão, dor, tristeza…pff.

      • Por favor digo EU! Nós Cristãos não somos religiosos, seguimos a Cristo Jesus e não uma religião. O próprio nome já diz Cristão ( Aquele que segue a Cristo ) e Religioso ( Quem segue uma religião ). Eu sigo a Verdade o Caminho e a Vida. E se fosse assim “(sim, cristãos evangélicos são religiosos pois seguem e cultuam uma entidade metafísica e tem um livro sagrado)” todos que tivessem um livro que chamam de sagrado e adorassem, por exemplo, um arvoré é religioso -.- .Antes de falar pesquise mais ok ? E outra o filme God’s not dead é o melhor filme que já vi, você pode não ter gostado pois disse algo que você não gostou ou que odeia ou porque simplesmente “Odeia Deus” e eu faço a mesma pergunta que o ator Shaper Hater fez: Por que você odeia a Deus ?

      • Anônimo

        Essas são palavras de amor que Deus tem pra falar ao teu coração: Eu sou seu criador e vc minha criatura tenho a sua vida nas palmas das minhas mãos e posso fazer o que eu quiser com elas mas por meu amor a vc decide te dar livre arbítrio pra escolher o que seus olhos alcanção mas meus caminhos são mais altos do que os seus e vc vai voltar pra mim e reconhecer minh grandeza e o quanto vc é insignificante diante de mim .Mas o meu amor vai te receber de volta e vai transformar sua vida num caminho de verdades e dificuldades que te levara até o meu encontro e até a minha gloria e vc vai lembrar que eubte tirei de um caminho bom e sem dificuldades que te levaria ao fogo. Com tudo queronque saiba que eu te amo minha FILHA mas quando estiver comigo não se esqueça de onde eu te tirei…

  • Anônimo

    Quanta raiva =/

    • Raiva? Está mais pra senso crítico. E mesmo que seja raiva, faz todo o sentido, já que o filme é uma piada maniqueísta que diminui e vilaniza quem escolhe pensar diferente.