Adeus literário: Suassuna e João Ubaldo no cinema

O Auto da Compadecida

O Auto da CompadecidaInfelizmente o escritor paraibano Ariano Suassuna morreu nesta quarta-feira, aos 87 anos, em consequência de um acidente vascular cerebral. Em uma semana de luto, ele se juntou a João Ubaldo Ribeiro e Rubem Alves, que morreram na sexta-feira e no sábado, respectivamente.

Como homenagem a esses grandes nomes da literatura brasileira, relembre as adaptações mais populares de suas obras para às telas.

O Auto da Compadecida, de Suassuna, foi levado para o cinema e para a tevê várias vezes. As desventuras dos amigos João Grilo e Chicó foram levadas para as telonas pela primeira vez em 1969. Com direção e roteiro de George Jonas, A Compadecida estrelava Regina Duarte, Armando Bógus e Antônio Fagundes nos papeis principais. Em 1987, Didi e companhia caíram no sertão do Nordeste em Os Trapalhões no Auto da Compadecida, uma releitura da premiada peça, que em tom de comédia, explora as raízes culturais, religiosas e políticas do povo nordestino. Em 1999, a Rede Globo produziu a minissérie O Auto da Compadecida, que no ano seguinte ganhou uma versão para os cinemas, com uma hora a menos de duração. A comédia dirigida por Guel Arraes e com roteiro de Adriana Falcão se tornou um dos filmes brasileiros mais populares entre o público e a crítica. O elenco, aprovado pelo próprio Suassuna, tinha Matheus Nachtergaele como João Grilo, Selton Mello como Chicó e Fernanda Montenegro no papel da Compadecida.

Em 2007, o livro  O Romance d’A Pedra do Reino e o Príncipe do Sangue do Vai-e-Volta também virou minissérie da Globo, e foi exibida integralmente nos cinemas. A Pedra do Reino tinha roteiro de Luis Alberto de Abreu, Bráulio Tavares e Luiz Fernando Carvalho, que também dirigiu a produção.

Do romance Sargento Getúlio, do baiano João Ubaldo Ribeiro, surgiu o filme homônimo, roteirizado pelo próprio autor junto a Flávio Porto e Hermanno Penna. Dirigido por Penna, o longa de 1983 tinha Lima Duarte no papel de Getúlio, e levou vários prêmios país afora.

Baseada também no romance homônimo, a minissérie O Sorriso do Lagarto, exibida na Rede Globo em 1991. O drama tinha Tony Ramos, Maitê Proença e Raul Cortez vivendo um triângulo amoroso, e ainda José Lewgoy como um geneticista que cria, entre outras aberrações, a mistura de humanos com chimpanzés.

O conto O Santo que Não Acreditava em Deus também recebeu adaptações tanto para as telinhas quanto para as telonas. Em 1993, Lima Duarte protagonizou um episódio da série Caso Especial, da Rede Globo, e em 1999, Cacá Diegues dirigiu a comédia de sucesso Deus É Brasileiro, com Antônio Fagundes no papel de Deus e roteiro de Diegues e Ribeiro. Em 1997, Cacá Diegues também comprou os direitos de Já Podeis da Pátria Filhos, mas o projeto nunca saiu do papel. Vem coisa nova por aí?

Com uma obra plural, que aborda religião, educação, filosofia e livros infantis, Rubem Alves (ainda?) não teve nenhum de seus livros levados às telas.

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.