Tudo por Justiça

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Com um elenco de estrelas, que conta com Christian Bale, Woody Harrelson, William Dafoe e Forest Whitaker, e dois gigantes da indústria cinematográfica na produção, Leonardo DiCaprio e Ridley Scott, Tudo por Justiça está aí para provar que, sem uma direção competente nem mesmo um elenco extremamente talentoso consegue sustentar um filme.

Durante 116 minutos, acompanhamos a vida dos irmãos Baze, numa trama movida por uma vingança. Vivido por Christian Bale, Russel é um trabalhador que ganha a vida de maneira honesta, se matando para conseguir apenas o suficiente para sobrevivência no estado norte-americano da Pensilvânia. Rodney, o irmão mais novo, interpretado por Casey Affleck, encararou as consequências de sua experiência no Iraque, o que culminou com sua morte pelas mãos de Harlan DeGroat (Woody Harrelson).

Com uma breve introdução à DeGroat, o início do filme é envolvente. Transmite especialmente a sensação de crueldade, frieza e sadismo do vilão em pauta. Porém, o longa de Scott Cooper, também diretor do mágico Coração Louco, perde o ritmo assim que a sequência “empolgante” termina para dar espaço a um clima mais calmo e lento, trazendo à tona os pequenos problemas do dia a dia dos personagens. A partir daí e até o final, a obra não retoma o pique do começo e acaba se tornando entediante.

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No entanto, a intenção do diretor ao lançar informações tão rapidamente na cara do espectador no início é clara:  ele quer explicitar o sofrimento dos dois irmãos. A destruição do sonho americano é um tema comum em Hollywood, como em Garota de Ouro (de Clint Eastwood, 2004) ou até mesmo Beleza Americana (de Sam Mendes, 1999). Tudo por Justiça segue este mesmo caminho, surgindo como exemplo de destruidor de sonhos.

Ao mostrar os “três lados da moeda”, com o foco nos três personagens centrais, o longa explora o papel do mocinho padrão, Russel, do rebelde, Rodney, e o do vilão, DeGroat (que representa tudo o que há de ruim no mundo). Russel acredita nas recompensas do trabalho duro, em contraposição ao irmão impulsivo que decide defender seu país na guerra entre os Estados Unidos e o Iraque, se tornando mais uma vítima da violência, com cicatrizes que jamais seriam curadas, como o desejo por lutas e a descrença no sistema americano. DeGroat é o antagonista, e age na trama apenas como uma força cujo único propósito é impedir o sucesso de todos os outros personagens, mesmo que seus atos não tenham lógica aparente.

Com passagens que não acrescentam nada ao drama do enredo, Scott Cooper se perde em sua própria obra e não consegue transmitir a mensagem que gostaria. No entanto, não é difícil entender alguns pontos de seu argumento. Russel e Rodney poderiam ser qualquer dupla de irmãos nos Estados Unido. Há até uma pequena “brincadeira” em relação ao confronto das gerações ao retratar o mais novo como alguém impulsivo e o mais velho em busca da estabilidade.

O problema é a abordagem feita pelo diretor. Ele não consegue superar outras películas que também trataram dos temas. Um deles, o desejo por violência já tinha sido abordado com maestria em Clube da Luta (de David Fincher, 1999). Todo o desejo pela paz encarnado por Russel se resume a pintar paredes e tentar reatar o romance com a namorada.

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Mas, sejamos justos, o roteiro merece um ponto positivo, ao mostrar que alguém que prefere estar no controle de tudo como Russel consegue deixar de lado seus ideais por causados seus sentimentos pelo irmão, mas só isso não segura o filme. Porém, mesmo com um roteiro batido, Tudo por Justiça poderia dar certo por força do elenco tão famoso. É o mínimo que poderíamos esperar. Mas há uma grande surpresa no longa: não há sequer uma interpretação memorável. Há pouquíssimos momentos de tensão verdadeira que permitiriam aos atores demonstrar o talento e o potencial já comprovados de cada um. Nas cenas em que os atores poderiam se destacar, tanto Woody Harrelson quanto Christian Bale – o primeiro responsável pelos confrontos e o segundo pelo maior tempo em tela – entregam um trabalho batido e totalmente apático. Na verdade, chega a incomodar a falta de expressão no rosto de Bale.

Tudo por Justiça possui um argumento muito bom, mas a falta de ambição e de competência da direção e até mesmo do elenco superstar o tornou uma obra medíocre e sem cor alguma. É apenas mais um filme norte-americano que fala mal dos Estados Unidos.

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