Operação Sombra – Jack Ryan

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Depois do sucesso de Sete Dias Com Marilyn, o diretor britânico Kenneth Branagah volta às telas. Apesar de pouca divulgação, há um elenco competente e de qualidade em Operação Sombra – Jack Ryan, um reboot, que nos leva às origens do personagem. É o quinto filme baseado na obra composta por treze livros do escritor norte-americano Tom Clancy.

Por ser um filme de Kenneth havia talvez a expectativa de um noir.  Mas Operação Sombra é um genérico de ação – durante a maior parte do tempo. É possível identificar as técnicas típicas do diretor, como cores menos saturadas, baixo brilho e contraste, contínuas mudanças de clima e cenário e o suspense até o desfecho.

A história se passa em Londres, Nova Iorque e Moscou. Na primeira cidade, Jack, vivido por Chris Pine, assiste o atentado terrorista de 11 de Setembro nos noticiários. A introdução é rápida, e logo o personagem principal sofre um acidente. Durante a sua recuperação, dois fatos importantes para a trama ocorrem: ele se apaixona por sua médica e percebe que é observado.

Kevin Costner interpreta um agente da CIA, William Harper, interessado pelo fuzileiro. Poucos apostam na recuperação de Jack, mas, antes do que se imagina, ele está de volta. Aceita a proposta feita por William, mas sabe que terá de guardar segredo de sua então namorada Cathy, interpretada cautelosamente pela belíssima Keira Knightley.

De volta à sua terra natal, Nova Iorque, trabalhando em Wall Street, Jack Ryan percebe que seus parceiros russos estão escondendo-lhe algo. A preocupação com o trabalho implica em mudanças de humor, mas seu cotidiano deve ser mantido em segredo, e segredos não fazem bem ao seu relacionamento. Cathy parece extremamente insegura, apesar das propostas de casamento. Quando descobre que seu namorado terá que viajar para Moscou a trabalho, oferece-se para ir também, mas fica desconfiada ao receber “não” como resposta.

Simultaneamente, em Moscou, Viktor Cherevin, interpretado pelo próprio Kenneth Branagh, é um chefe da máfia russa, e seus guarda-costas armam contra o agente secreto. Nonso Anozie faz uma rápida e empolgante aparição, mostrando seu talento como um bem-humorado, hospitaleiro, e extremamente falso agente. Jack Ryan é tido como perigoso pela sua inteligência. Ele prevê uma segunda grande depressão antes mesmo de a Rússia dar início a uma crise financeira. A história não é longa, mas trabalha com muita informação.

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Apesar de todos os problemas, Cathy não desiste de Ryan. Pelo contrário. Corre atrás de seu amado e deixa claro o medo de perder a felicidade pelo sentimento recíproco e a vontade de que seja para sempre. O amor dos dois transparece em pequenos detalhes mostrados no filme. Quando a vida de Cathy está em risco, Jack expõe ainda mais seu amor e faz o impossível para salvá-la.

Mas, a partir de determinado ponto, o filme torna-se cansativo. Muitas informações são jogadas ao mesmo tempo e, ao piscar os olhos, é possível perder o fio da meada.  A expectativa, tão característica de um filme de Kenneth Branagh, sobrevive, mas há também certa monotonia.

Durante o desfecho, a aflição do espectador não é para descobrir se Jack conseguirá ou não salvar a cidade – pois sabemos que em 90% dos casos o bem vence o mal –, mas sim como ele fará isso.

Operação Sombra não é um filme que mudará sua vida, nem uma obra que mudará a história do cinema. É capaz de prender sua atenção e de entretê-lo, mas nada que fuja dos padrões. Kenneth Branagh não correu riscos, não inovou e não fugiu radicalmente de seu estilo. Mas também não cometeu grandes erros e nem fez do filme um fiasco.

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Quem escreveu

Vitória Araújo
Apaixonada por cinema desde criança – com coleções de VHS e DVD’s. Assiste pelo menos a um filme por dia, às vezes cinco. Acredita que o cinema é a junção de todas as artes, e é isso que o torna especial: a capacidade de transmitir emoções para o espectador por meio de uma tela. Fortalezense, fluente em inglês, encantada pelo cinema de Hitchcock e com uma paixão secreta por Lars von Trier; eclética que dói na alma. Dificilmente odeia, raramente ama um filme. Aprecia obras por inteiro e reconhece a dificuldade da realização de uma obra cinematográfica. Dirigiu diversas peças teatrais, mas sonha em dirigir filmes. Seu pai diz que ela irá morrer de fome com tal carreira tão arriscada, e atualmente ela não sabe o que fazer da vida.