5 documentários que vão te fazer pensar

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Há tempos, os documentários sofrem com o preconceito cinematográfico. Eles não lotam as salas de cinema e raramente figuram na lista dos filmes preferidos de alguém. Já é sorte se forem considerados “filmes”. Apesar de elegíveis para o Oscar de Melhor Filme, um documentário nunca foi nem nomeado. Felizmente, eles não são todos iguais e, alguns, passam longe do estereótipo de câmeras tremidas e narrações chatas. Às vezes, a arte imita a vida; em outras, é a própria vida. E a vida pode nos surpreender de muitas maneiras não convencionais.

1

Nós que Aqui Estamos por Vós Esperamos
De Marcelo Massagão, 1999

Leitura cinematográfica do livro Era dos Extremos, do historiador inglês Eric Hobsbawn, o filme é uma coleção de imagens do século XX e uma análise social, econômica e cultural de um período marcado por muitos contrastes. A trilha sonora composta por Wim Mertens e os textos escritos por Massagão o tornam um documentário-poesia e provocam reflexão tanto sobre momentos grandiosos, como as guerras mundiais, quanto sobre as várias vidas comuns que são mencionadas. Sua montagem totalmente fora dos padrões levou dois importantes prêmios brasileiros, no Festival de Gramado e no Festival de Recife.

2

Zeitgeist, o Filme
Zeitgeist, the Movie
De Peter Joseph, 2007

Lançado diretamente na internet, Zeitgeist questiona assuntos “sensíveis” e polêmicos: as raízes do Cristianismo, os ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos e o sistema monetário internacional. Independentemente de serem verdades ou não, as teorias conspiratórias da obra servem para nos mostrar como muitas de nossas crenças são baseadas em histórias, muito mais do que em provas concretas, e poderiam facilmente ser mudadas caso essas fossem contadas de forma diferente. O filme ficou tão popular que ganhou duas sequências, Zeitgeist: Addendum e Zeitgeist: Moving Foward.

17

Quem Pode Salvar a Terra?

Who Speaks for Earth?
De Adrian Malone, 1980

No último dos 13 episódios da série Cosmos, o físico Carl Sagan discorre sobre a importância da ciência, o futuro da humanidade com as armas nucleares e a possibilidade de vida extraterrestre. Ele questiona o cartão de visita que entregamos para nossos vizinhos do universo e a destruição de conhecimento na história. O carisma de Sagan abre as portas da astronomia e da física atômica e as coloca ao alcance de qualquer pessoa, algo totalmente inovador na época. Cosmos foi e continua sendo tão aclamada que uma sequência está em produção para 2014.

4

Ilha das Flores

De Jorge Furtado, 1989

Em seus poucos 13 minutos, Ilha das Flores consegue passar uma mensagem assustadora e, infelizmente, verdadeira. O curta segue a jornada de um tomate, desde seu plantio até o lixão onde ele finalmente vai ser utilizado. Apesar do humor e da ironia ao retratar a triste realidade dos moradores de Ilha das Flores, um município perto de Porto Alegre (RS), o filme nos emociona e nos deixa atentos para uma história que se repete em várias cantos do Brasil. Além de cumprir seu papel informativo, a estrutura do roteiro e a edição transformam a obra em uma verdadeira joia do cinema, brasileiro e internacional: Ilha das Flores coletou nove prêmios em Gramado e ganhou o Urso de Prata no Festival de Berlim de 1990.

5

Muito Além do Peso

De Estela Renner, 2012

Os documentários propondo a mudança de hábitos alimentares se multiplicaram na última década, mas Muito Além do Peso se destaca por atacar nosso cardápio por um novo ângulo. O filme não é focado apenas nos problemas de saúde ou nos métodos de produção dos alimentos, mas especialmente nos efeitos que a grande indústria da propaganda exerce sobre as crianças. As risadas e a inocência infantil mostradas nos depoimentos escondem um problema cada vez maior e mais preocupante: 33% dos brasileirinhos estão com sobrepeso e a maioria deles, que não tem a menor noção sobre o problema, deverá se manter assim pelo resto da vida. Sem grandes artifícios cinematográficos, a simplicidade de Muito Além do Peso traz um retrato cruel da nossa ignorância em educação alimentar.

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.