Uma Aventura Lego

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A surpreendente obra cinematográfica de Christopher Miller e Phil Lord pode ser descrita como magnífica, do princípio ao fim. O famoso brinquedo Lego é conhecido internacionalmente pela sua capacidade de criar infinitas combinações de cenários e personagens. O criador dinamarquês Ole Kirk utilizou-se de duas palavras de sua língua materna para a criação do nome agora conhecido por todos: leg godt, que significa “brincar bem”. Chris e Lord levaram ao pé da letra a expressão. Uma Aventura Lego é uma comédia agradável e divertida, não somente para crianças.

A verdade é que grande parte do humor da obra consiste em sarcasmos e ironias – o que de início foi uma surpresa –, logo as “piadas” acabam tornando-se inteligentes e bem trabalhadas. O lado infantil não é deixado de lado, arrancando boas risadas das crianças, com personagens atrapalhados e exagerados, coloridos e brilhantes; mas adultos também se divertem e aproveitam a comicidade da produção.

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Trata-se de uma aventura em que uma profecia feita por Vitruvius avisa a chegada de um construtor mestre, que mudará para sempre a vida de todos. Emmett é um cidadão comum, que vive sob as instruções dadas pelo presidente Sr. Negócios. Emmett é um bom exemplo de pessoa alienada, sem vontade própria, sem criatividade e sem iniciativa. Porém, é confundido com a tal pessoa especial da profecia e, com a ajuda de um velho, de uma garota encantadoramente má e de Batman, ele terá que salvar o universo Lego do mal, mas não faz nem ideia de por onde começar.

O fato é que tanto a comédia quanto a aventura funcionam. Caminham pacificamente juntas, uma ajudando a outra. O tom de sátira à nossa atual sociedade é sempre presente, tanto que se pode imaginar o que virá a seguir (se você for extremamente bom em desvendar plot-twists).

O que mais impressiona são os efeitos visuais. A tecnologia utilizada na produção do filme é encantadora e o 3D torna-se um complemento a toda a grandiosidade da obra. A verdade é que a ideia de tanta computação gráfica e efeitos tridimensionais não me são atraentes, mas quando isso está presente em uma animação que junta Michelangelo, a tartaruga ninja, e Michelangelo, o artista renascentista, há uma atração ímpar na ideia.

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Chris e Lord mantêm o suspense, a ação, o humor e, sim, o romance, até o fim da trama. O roteiro brilhante permanece até o final e a presença de tantos personagens icônicos deixará as crianças atônitas, assim como trará aos adultos velhas lembranças. O filme, sem dúvida, tem o poder de divertir uma família inteira, além de grandes chances de ganhar prêmios.

É interessante lembrar que foram gastos mais de 3 milhões de peças do brinquedo para a produção do filme, mas os movimentos e expressões são resultados do trabalho de Grant Freckelton e sua equipe no software livre Lego Digital Designer.

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Os seis anos gastos pela Warner Bros. para a produção e realização do filme valeram a pena. Ele é surpreendente e, sem dúvida, acabou tornando-se melhor do que poderíamos imaginar. As explosões, o fogo e a água (a água!) feita com peças de Lego é de deixar qualquer um boquiaberto.

Obviamente, muitos poderão – e irão – dizer que foi apenas uma hora e meia de propaganda de brinquedos. Mas é muito mais do que isso, há uma mensagem: é preciso trabalhar em equipe. O visual incrível e a evolução do CGI são provas de que ainda há muito para se ver, e muito com o que se surpreender nas telas. A presença do humor inteligente nos dá a esperança de melhores comédias, além do conforto de filmes engraçados que não precisam degradar ou humilhar algo ou alguém para divertir um público.

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Quem escreveu

Vitória Araújo
Apaixonada por cinema desde criança – com coleções de VHS e DVD’s. Assiste pelo menos a um filme por dia, às vezes cinco. Acredita que o cinema é a junção de todas as artes, e é isso que o torna especial: a capacidade de transmitir emoções para o espectador por meio de uma tela. Fortalezense, fluente em inglês, encantada pelo cinema de Hitchcock e com uma paixão secreta por Lars von Trier; eclética que dói na alma. Dificilmente odeia, raramente ama um filme. Aprecia obras por inteiro e reconhece a dificuldade da realização de uma obra cinematográfica. Dirigiu diversas peças teatrais, mas sonha em dirigir filmes. Seu pai diz que ela irá morrer de fome com tal carreira tão arriscada, e atualmente ela não sabe o que fazer da vida.