Os 11 melhores anos de Melhor Filme

Os produtores e o diretor de O Poderoso Chefão - Parte II, Gray Frederickson, Francis Ford Coppola, Fred Roos e o compositor Carmine CoppolaOs produtores e o diretor de O Poderoso Chefão - Parte II, Gray Frederickson, Francis Ford Coppola, Fred Roos e o compositor Carmine Coppola

Com o Oscar chegando, a nossa ansiedade para saber quais são os maiores sucessos do ano passado aumenta cada vez mais até 2 de março, quando acontece a grande festa. Inspirados pelo momento, um ano no qual os concorrentes a Melhor Filme estão muito fortes, lembramos de alguns outros anos nos quais a concorrência pela estatueta nesse quesito foi também altíssima.

Eleitos por voto direto, a categoria Melhor Filme é a única para qual votam todos os membros da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas e é definitivamente a voz da indústria Hollywoodiana. Confira quando e quem falou mais alto e aproveite para rever os filmes.

1940

A atriz Vivian Leigh e David O. Selznick, produtor de E o Vento Levou

A atriz Vivian Leigh e David O. Selznick, produtor de E o Vento Levou

A 12ª edição do prêmio foi uma festa de clássicos. O favorito E o Vento Levou, de Victor Fleming, batia o recorde de indicações em todas as cerimônias anteriores, concorrendo em 13 categorias. Seu maior adversário, o drama controverso de Frank Capra, A Mulher Faz o Homem, tinha 11 indicações, mas ganhou só Roteiro Original, enquanto o Vento realmente levou: oito estatuetas principais e mais dois prêmios honorários. Quando um filme carrega sozinho quase todos os homenzinhos é difícil algum outro se destacar, mas 1939 ainda estava cheio de obras primas. Como esquecer as belíssimas adaptações O Morro dos Ventos Uivantes, de William Wyler; Adeus, Mr. Chips, de Sam Wood; e O Mágico de Oz, também de Victor Fleming; ou John Ford com o faroeste No tempo das Diligências? Greta Garbo e Bette Davis ainda roubaram a cena, Garbo com Ninotchka, dirigido por Ernst Lubitsch e Davis com Dark Victory, de Edmund Goulding. Completavam a disputa o romance Duas Vidas, de Leo McCarey, e Carícia Fatal, de John Steinbeck.

1951

Elenco de A Malvada

Elenco de A Malvada

Onze anos depois, o maravilhoso A Malvada bateu o recorde de maior número indicações, com 14 – proeza que sustenta ainda hoje, empatando apenas com Titanic, em 1998. Em compensação, o drama de Joseph L. Mankiewicz ganhou só seis prêmios dos 14, incluindo Melhor Filme, mas mesmo assim bem menos que o clássico E o Vento Levou, de 1939. O outro grande destaque da noite foi o drama noir Crepúsculo dos Deuses, dirigido por Billy Wilder, que apesar das suas 11 indicações ficou só com três estatuetas, incluindo a de Melhor Roteiro. Duas comédias, Nascida Ontem, de George Cukor, e O Pai da Noiva, de Vincente Minnelli, também estavam na disputa pelo grande prêmio, um acontecimento não muito comum. Também concorreu naquele ano o clássico de aventura As Minas do Rei Salomão, que venceu nas outras duas categorias para qual foi indicado.

1972

Operação França levou cinco estatuetas em 72. O produtor Phil D'Antoni, o ator Gene Hackman, o diretor William Friedkin e Jane Fonda, vencedora de Melhor Atriz por Klute - O Passado Condena

Operação França levou cinco estatuetas em 72. O produtor Phil D’Antoni, o ator Gene Hackman, o diretor William Friedkin e Jane Fonda, vencedora de Melhor Atriz por Klute – O Passado Condena

Uma inusitada mistura de gêneros compunha a corrida por Melhor Filme: um musical, um policial, dois dramas bem diferentes e uma biografia. Um Violinista no Telhado, de Jerry Bock, Operação França, de William Friedkin, e A Última Sessão de Cinema, de Peter Bogdanovich, estavam no páreo, com oito indicações cada. A ação de Friedkin levou e acabou deixando para trás grandes obras e grandes temas, incluindo a violência polêmica de Laranja Mecânica, de Stankey Kubrick, e o império russo de Nicholas e Alexandra, dirigido por Franklin J. Schaffner.

1975

Os produtores e o diretor de O Poderoso Chefão - Parte II, Gray Frederickson, Francis Ford Coppola, Fred Roos e o compositor Carmine Coppola

Os produtores e o diretor de O Poderoso Chefão – Parte II, Gray Frederickson, Francis Ford Coppola, Fred Roos e o compositor Carmine Coppola

Lenny, de Bob Fosse, e Inferno na Torre, de John Guillermin, eram bons indicados. Mas a disputa selvagem dos filmes de 1974 foi entre as duas obras de Francis Ford Coppola, O Poderoso Chefão: Parte II e A Conversação, contra o fantástico thriller-noirChinatown, de Roman Polanski. Parte II levou e é, até hoje, a única sequência de um ganhador – Parte I venceu em 1973 – a ser também premiada. A Conversação não levou nenhuma outra estatueta naquela noite, mas, em compensação, o Chefão abocanhou mais cinco das suas onze indicações, enquanto Chinatown só ganhou Roteiro Original. Fazer o quê, não é mesmo Polanski? É Hollywood, não Chinatown.

1976

Um Estranho no Ninho venceu o Big Five. Os produtores Michael Douglas e Saul Zaentz, os atores Louise Fletcher e Jack Nicholson e o diretor Milos Foreman comemoram a vitória

Um Estranho no Ninho venceu o Big Five. Os produtores Michael Douglas e Saul Zaentz, os atores Louise Fletcher e Jack Nicholson e o diretor Milos Foreman comemoram a vitória

Concorriam filmes de três diretores geniais: Tubarão, de Steven Spielberg, Barry Lyndon, de Stanley Kubrick, e Um Dia de Cão, de Sidney Lumet. Sozinhos, esses já configuravam uma disputa acirrada. Mas a Academia parecia relutante em dar a vitória para o trabalho de um dos mestre e não para outro. Então, a maioria dos votos foi para a obra-prima Um Estranho no Ninho, de Miloš Forman, que levou, das nove indicações obtidas, as cinco estatuetas principais: Filme, Diretor, Atores e Roteiro. Naquele ano também concorria Nashville, de Robert Altman, que tinha quatro indicações, mas só levou a de Melhor Canção Original.

1991

O diretor, produtor e ator principal de Dança Com Lobos, Kevin Costner

O diretor, produtor e ator principal de Dança Com Lobos, Kevin Costner

Uma disputa feroz. Por um lado, a máfia era aclamada em dois filmaços: Os Bons Companheiros, de Martin Scorsese, e em O Poderoso Chefão: Parte III, de Francis Ford Coppola. Os dois eram muito cotados. O primeiro com sete indicações e o segundo com seis. Por outro lado, esses dois clássicos competiam com duas lindissimas histórias de amor: Tempo de Despertar, de Penny Marshall (três indicações), e Ghost – Do Outro Lado da Vida, de Jerry Zucker (cinco indicações). Mas o favorito do ano foi Dança com Lobos, de Kevin Costner, que levou sete das doze estatuetas a que concorria, incluindo Melhor Filme. Uma vitória justa. Mas quem não gostaria de ter visto o Chefão fazer história como a trilogia de Melhores Filmes ou a obra-prima de Scorsese levar mais que Melhor Ator Coadjuvante, com Joe Pesci?!

1995

O ator Tom Hanks recebeu uma das seis estatuetas de Forrest Gump - O Contador de Histórias

O ator Tom Hanks recebeu uma das seis estatuetas de Forrest Gump – O Contador de Histórias

Quatro Casamentos e um Funeral, de Mike Newell, e Quiz Show – A Verdade sobre os Bastidores, de Robert Redford, eram ótimas indicações, mas o verdadeiro combate aconteceu entre três sucessos de bilheteria. O filme mais votado no Top 250 IMDb, Um Sonho de Liberdade, de Frank Darabont, e o cult-clássico de Quentin Tarantino, Pulp Fiction – Tempo de Violência, tinham sete indicações cada, mas o favorito era mesmo o drama de Robert Zemeckis, sobre um dos personagens mais queridos do cinema norte-americano, Forrest Gump – O Contador de Histórias, que obteve 13 indicações. O favoritismo se confirmou. Nem o versículo 25.17 de Pulp Fiction, nem a voz arrepiante de Morgan Freeman em Um Sonho de Liberdade foram páreos para o “Corre Forrest, corre”, que levou Melhor Filme e mais cinco prêmios na noite.

2000

O ator Kevin Spacey e o diretor Sam Mendes, de Beleza Americana

O ator Kevin Spacey e o diretor Sam Mendes, de Beleza Americana

O fim do século foi bem balanceado e nenhuma obra apareceu como favorita absoluta. Beleza Americana, do então diretor estreante Sam Mendes, tinha oito indicações, mas participou de uma competição tensa. O ótimo Regras da vida, de Lasse Hallstrom, e a obra-prima do lendário Michael Mann, O Informante, concorriam cada um a sete estatuetas; o filme que deu fama de gênio a M. Night Shamalayan, O Sexto Sentido, a seis; e a bela e fiel adaptação do romance de Stephen King, À Espera de um Milagre, dirigido por Frank Darabont, arrebanhou quatro indicações. Mas Sam Mendes levou a melhor, merecidamente.

2006

A equipe e o elenco de Crash - No Limite comemora o prêmio de Melhor de Filme

A equipe e o elenco de Crash – No Limite comemora o prêmio de Melhor de Filme

 Um ano em que todos os filmes colecionavam temas fortes e em pauta. O favorito, Brokeback Montain, de Ang Lee, e Capote, de Bennett Miller, carregavam a bandeira gay, enquanto Munique, de Steven Spielberg, e Boa Noite, e Boa Sorte, de George Clooney, focavam em terrorismo, política, e seus desdobramentos. Mas foi a discussão sobre racismo em Crash – No Limite, de Paul Haggis, que desbancou as oito indicações do drama de Ang Lee amaciou as vitórias, com cada um recebendo três estatuetas.

2011

O ator Colin Firth e o diretor Tim Hooper, vencedores por O Discurso do Rei

O ator Colin Firth e o diretor Tim Hooper, vencedores por O Discurso do Rei

Essa corrida foi para disparar os corações. A disputa estava acirrada entre os mais indicados do ano – as biografias O Discurso do Rei, de Tom Hooper, e A Rede Social, de David Fincher, e o faroeste Bravura Indômita, dos Irmãos Coen. Também concorriam os dramas O Vencedor, de David O. Russel, e 127 Horas, de Danny Boyle, com sete indicações cada, e o maravilhoso Cisne Negro, de Darren Aronofsky, com cinco. 2010 também tinha sido um ano forte para os blockbusters e eles marcaram presença na competição. Lançados todos no verão americano, o genial A Origem, de Christopher Nolan, o último capítulo de Toy Story, de Lee Unkrich, a comédia Minhas Mães e Meus Pai, de Lisa Cholodenko, e o thriller Inverno da Alma, de Debra Granik, foram favorecidos pelo período de férias e acumularam 21 indicações no total. Bravura Indômita e 127 Horas saíram de mãos abanando da cerimônia, apesar das várias indicações, e O Discurso do Rei levou o grande prêmio graças à encenação do gago de Colin Firth.

2014

O Oscar 2014 será apresentado por Ellen Degeneres, no dia 2 de março

O Oscar 2014 será apresentado por Ellen Degeneres, no dia 2 de março

Tínhamos que falar deste ano. É raro termos quase 100% dos indicados reais merecedores da posição e a certeza de que nenhum deles sairá de mãos vazias da noite de prêmios. Mas, como sempre, o Oscar é imprevisível e é preciso esperar até domingo para o resultado. Até lá, aguardamos ansiosos, sabendo que provavelmente ficaremos satisfeitos.

12 Anos de Escravidão, de Steve McQueen, é o favorito a Melhor Filme, por já ter sido premiado nos festivais mais importantes – Globo de Ouro, BAFTA, Critics Choice Awards e o SAG. O filme conquistou outras oito indicações, mas incrivelmente, não é dele o recorde nesse quesito.   O louco Trapaça, de David O’ Russel, e o inesquecível Gravidade, de Alfonso Cuarón – que mantém também o recorde de bilheteria – têm cada um dez indicações.  Logo depois, mas não menos fantásticos, estão O Lobo de Wall Street, de Martin Scorsese, Nebraska, de Alexander Payne, e Ela, de Spike Jonze, cada um com cinco. Capitão Philips, de Paul Greengrass, e Philomena, de Stephen Frears, completam a corrida, com modestas, mas preciosas, três indicações.

Quem escreveu

Raphael Georg
É um cinéfilo desde que se lembra de ser um ser humano. Ao longo dos anos começou a aprimorar sua atenção aos filmes para se tornar um verdadeiro crítico. Hoje ele hoje gosta de todos os gêneros possíveis, desde a amizade de um suricate com um javali e seu lema, Hakuna Matata, à um negro recitando Ezequiel 25:17 para um bando de garotos assustados. Ele apenas quer ver um filme transmitindo a sua arte e mágica da melhor forma possível.