Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal

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A famosa franquia nos faz indagar, mais uma vez, a necessidade de tantos filmes. O prolongamento desnecessário é normal em Hollywood e sabemos que muitas franquias tidas como soberanas teriam lucrado muito mais se soubessem quando parar.

Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal não é muito diferente de Jogos Mortais ou Homem-Aranha quando se trata de sequências desnecessárias. Escrito por Christopher Landon (Disturbia), o spin-off tem agora um elenco latino-americano pecando na interpretação, no aprofundamento dos personagens e, além de tudo, na mescla que faz do inglês com o espanhol durante grande parte do filme.

Na obra, Jesse Jacobs é um adolescente que, por curiosidade, invade a residência de sua vizinha. A partir daí, vários fatos estranhos começam a atormentar-lhe. Uma marca aparece em seu braço e o faz sentir mais poderoso e, ao mesmo tempo, dominado. Os amigos e a família tentam ajudá-lo, mas o garoto parece ganhar “super-poderes”, inclusive filmando e postando vídeos no Youtube.

A despeito do tema, em Marcados pelo Mal há uma quantidade enorme de cenas “engraçadas”, claramente desnecessárias, o que se torna um dos grandes furos no roteiro, pois as cenas cômicas superam as de suspense. O filme também exagera na quantidade de gírias e palavras de baixo calão, que nos faz sentir em um filme de Johnny Knoxville (Jackass).

De certa forma, o cenário é interessante e atrativo, mas as luzes e o posicionamento da câmera são extremamente cansativos e previsíveis. Há, sim, cenas de suspense, mas estas não se mantêm por muito tempo, pois a trilha sonora é quase desprezível. Além disso, o jump scare não combina com o clima do filme; os olhos completamente negros ou completamente brancos são um recurso repetitivo.  A história tem ainda momentos extremamente bizarros, como a possessão do famoso brinquedo Genius, que faz com que este responda “sim” ou “não” para todas as perguntas de Jesse.

2É claro que Atividade Paranormal – Marcados pelo Mal é somente um derivado da famosa franquia, mas há algo nele que nos remete ao quarto,ao segundo e ao primeiro filme da série, como o encontro de fitas de vídeo com o nome das irmãs que deram início à série de acontecimentos bizarros, e o desfecho (completamente sem nexo), que nos leva a um portal dimensional para chegarmos até a casa de Hunter (do quarto filme).

A cena final é tosca, cômica e patética. Tenta criar um vínculo com os filmes anteriores outra vez, mas é extremamente óbvio que foi feita somente para tapar buracos no roteiro. A “viagem no tempo” é feita de repente, com a retomada, agora, da casa onde se passa o primeiro filme, mas tudo acontece sem lógica, a ponto de que o final do primeiro filme teria que ser alterado para tudo fazer sentido.

O que se aproveita no filme são alguns efeitos, como os utilizados no portal que distorce a realidade.  Todo o resto – roteiro, fotografia, enquadramento das cenas, elenco e até o figurino – põe o filme pra baixo e o faz somente risível. Nada além da história de um jovem que precisa fugir para sobreviver, e o faz com uma câmera na mão, convenientemente ligada e voltada para o ambiente.

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Quem escreveu

Vitória Araújo
Apaixonada por cinema desde criança – com coleções de VHS e DVD’s. Assiste pelo menos a um filme por dia, às vezes cinco. Acredita que o cinema é a junção de todas as artes, e é isso que o torna especial: a capacidade de transmitir emoções para o espectador por meio de uma tela. Fortalezense, fluente em inglês, encantada pelo cinema de Hitchcock e com uma paixão secreta por Lars von Trier; eclética que dói na alma. Dificilmente odeia, raramente ama um filme. Aprecia obras por inteiro e reconhece a dificuldade da realização de uma obra cinematográfica. Dirigiu diversas peças teatrais, mas sonha em dirigir filmes. Seu pai diz que ela irá morrer de fome com tal carreira tão arriscada, e atualmente ela não sabe o que fazer da vida.