8 bons filmes com péssimos títulos em português

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Talvez dar um nome em português a um filme estrangeiro seja um trabalho tão delicado quanto o de escolher um título na língua original. Teria que se manter o impacto, a piada, as possíveis referências culturais, e muitas vezes não bastaria traduzir ao pé da letra. Infelizmente, o Brasil tem uma coleção vasta de atrocidades nesse assunto. Às vezes o título é tão banal que algumas semanas depois já não conseguimos mais relacionar o filme com seu nome. Pior é se um título banal nos induz a pensar que é um filme banal, quando na verdade é um ótimo filme. Entre um ou outro, esses títulos definitivamente entram na categoria de títulos banais.


1Entre o Amor e o Pecado
Forever Amber
De Otto Preminger, 1947

Baseado no romance de Kathleen Winsor, “Para Sempre Amber” foi comparado pela imprensa da época ao E o Ventou Levou, e narrava as conquistas da jovem Amber, que usava os homens para fazer sua fortuna. O nome da personagem fazia referência à cor dos seus olhos, e o nosso título passou bem longe de dizer alguma coisa importante sobre o filme.

 

 

 


2Entre o Amor e a Morte
Woman in Hiding
De Michal Gordon, 1949

“A mulher escondida”, do ator e diretor Michal Gordon, foi um sucesso de crítica. Ida Lupino era Deborah, uma mulher fugindo do seu marido assassino, e Howard Duff interpretava o homem que poderia protegê-la. Talvez quiseram traduzir a falta de originalidade do título original, que mesmo assim ainda poderia ter sido melhor adaptado.

 

 

 

 

3Entre o Amor e a Paixão

Take This Waltz
De Sarah Polley, 2011

Da atriz e diretora canadense Sarah Polley, Take This Waltz poderia ter chegado aqui com o título original, ou como “Aceite Essa Valsa”, “Tome Essa Valsa”, “Pegue Essa Valsa”, e até mesmo “Engula Essa Valsa” teria sido melhor que o título que ganhou. A famosa canção de Leonard Cohen embala esse drama romântico, que gira em torno de Margot, seu marido Lou e seu vizinho Daniel. Michelle Williams levou alguns prêmios por… não quero mais te dar minha valsa.

 

 

 

4Entre Dois Amores
Out of Africa
De Sydney Pollack, 1985

Mesmo sete homenzinhos no Oscar de 86 (incluindo Melhor Filme) não foram o suficiente para “Saídos da África” ganhar um título decente. O filme foi baseado no romance autobiográfico de mesmo nome da dinamarquesa Isak Dinesen, onde ela conta o tempo em que viveu no Quênia. Maryl Streep e Robert Redford encaram os papéis principais. Em 1987, quando o livro foi publicado no Brasil, saiu como A Fazenda Africana. Vai entender.

 

 

 


5Entre a Loura e a Morena
The Gang’s All Here
De Busby Berkeley, 1943

O musical “A Gangue Está Toda Aqui” começava com um coral cantando Hail! Hail! The Gang’s All Here, e incluía a famosa apresentação que fez com que Carmen Miranda ficasse conhecida como “A Mulher com o Chapéu Tutti-Frutti”. A história seguia o soldado Andy e a loira por quem ele se apaixonava, Eadie, que por sua vez não sabia que ele estava noivo da morena Vivian. Apesar da sugestão do título, o filme focava mais nas danças de Eadie e Dorita, interpretada por Carmen, do que na relação de Andy com Vivian. Mais uma bola fora.

 

 


6Entre a Loira e a Ruiva
Frankie and Johnny
De Frederick de Cordova, 1966

A difícil escolha entre os tons de cabelo continuou em 66, com o musical “Frankie e Johnny”. O filme trazia Elvis Presley numa história inspirada pela canção popular americana Frankie and Johnny. Johnny é um viciado em jogos de azar que acaba acreditando que a ruiva Nellie pode trazer sorte, o que provoca ciúmes na sua namorada loira, Frankie. Em 1991, outro Frankie and Johnny, inspirado na mesma música, foi lançado nos EUA. O filme, que tem Al Pacino e Michelle Pfeiffer nos papéis principais, chegou ao Brasil como, finalmente, Frankie e Johnny.

 

 

 

7Frankenstein – Entre Anjos e Demônios
I, Frankenstein
De Stuart Beattie, 2014

“Eu, Frankenstein” ainda nem estreou e já sofre com a besteira. Essa nova adaptação do monstro de Mary Shelley vai mostrar Frankenstein envolvido em uma guerra entre dois clãs imortais, os Gárgulas, conhecidos como anjos da noite, e os Demônios. Os títulos com nomes próprios seguidos de hifens já são figurinha repetida por aqui, mas dessa vez é pior, porque evoca dois outros filmes chamados Anjos e Demônios: a adaptação de 2009 do romance de Dan Brown e um filme nacional de 1970 dirigido por Carlos Hugo Christensen.

 

 

 

8Entre o Bem e o Mal
Adams Æbler
De Thomas Jensen, 2005

Representando a Dinamarca no Oscar deMelhor Filme Estrangeiro de 2006, “As maçãs de Adam” só recebeu elogios.  Ulrich Thomsen vive Adam, um ex-presidiário neonazista que vai participar de um programa de reabilitação em uma comunidade religiosa e recebe como tarefa cuidar de uma macieira. O título era genial por si só: brincava com o desafio do personagem e a parábola bíblica do pomo de Adão. O padre da comunidade acredita cegamente na bondade de Adam, mesmo quando ele continua se comportando mal, justificação para o título nacional. Mais um bom filme que pode ter passado batido por causa do seu título de ação barata.

Quem escreveu

Ana Carolina Nicolau
Uma caneca de café e um computador fazem meu mundo rodar. Criei o Take148 porque as consequências criativas da cafeína precisam ser compartilhadas. Eternamente dividida entre a televisão e o cinema. Tenho um diploma em Matemática, mas até agora ele só serviu pra me fazer parecer foda. Não que seja mentira.
  • Rogerio

    Até concordo que as vezes fica difícil encontrar uma tradução que chame à atenção do mercado… mas tem coisas que são incríveis e sem cabimento. Ontem vi um filme que tem como título original “August 5” e traduziram para “5 dias de Guerra”…. fica esquisito